Estou nu em frente ao espelho
Visto as calças pretas de cabedal
Dispenso como é habito a vil cueca,
seja de que marca for
entro na t - shirt preta
ato o lenço vermelho ao pescoço.
Saio.
À porta espera-me a HD Nightster
XL 1200 m, Sportster.
Volto atrás
Pego na Blues- Fender escarlate
Modelo Muddy Waters
Ponho a guitarra com a cabeça virada para baixo
passo a bandoleira preta pelo peito
ligo o motor. O roncar único
rompe o ruído da rua.
Vou pela AE abaixo rumo ao Algarve
A 80 para curtir a viagem
Sonhando (atento) que vou na “Route 66”
Vrum…vrum….vrum…….
It’s only Rock-and-Roll ,baby
Espiche, 23 de Maio de 2008
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
BOB GELDOF
BOB GELDOF
Corro atrás das palavras
Para as colar , dar-lhes nexo
Ao alinhar letras, ideias
Gozo e venho-me. É tão bom como o sexo.
O ingénuo grito do ex-proleta Bob Geldof :
Meus senhores, “Há fome neste mundo de opulência
E podem acabar com ela”
vossas excelências ou vossas reverências.
Despertam consciências adormecidas
Levantam-se gestos, movimentam-se pessoas
Montam-se logo paredes ,de policias de intervenção, tanques, canhões,
As costumadas defesas dos interesses bem instalados,
que nos asfixiam, toldam vontades, anestesiam-nos
A todos?
BOB, Havemos de conseguir!
Bob, Bob, tu tens razão!
Eles andam de mãos dadas com o sangue!
Estamos a chegar ao fim do mundo, numa atitude laxista e suicida sem precedentes?
Os outros que se lixem, não têm direito a nada, brancos somos nós
Fomos nós com o nosso trabalho e fruto do nosso suor, que ganhámos o direito ao conforto e à qualidade de vida que temos. Não temos nada a partilhar com
Chineses? Indianos? Pretos Africanos? Latino - Americanos?
Que é lá isso????????
Olha meu,
ás vezes lembro-me do que dizia o Mao “ a revolução não é um jantar festivo ou fazer um bordado delicado, é um acto de violência....”
É com isso que nos presenteiam diariamente: violência a todos os níveis .
Integrada na normalidade do quotidiano para não darmos por ela?
Bob
Antes de estarmos todos:
anestesiados pela TV
pelos discursos redondos e sem conteúdo
Números obedientes ,disciplinados
APÁTICOS e agradecidos.
Vivemos o dia a dia
na fila de carros para o trabalho,
as 8 horas produtivas no trabalho
o regresso para casa, do outro lado da via,
mas em fila
sem tempo nem vontade para nada .
Liga a TV, come, deita os filhos
Sexo? Estou cansada.
Dorme, levanta-te, corre para o infantário
Para a fila , para o trabalho, corre, corre
ainda há quem resista?
Juntemo-nos aos jovens revoltosos de todos os países
Aos que
contestam esta globalização
desconfiam destas democracias
(onde o nosso direito é votar)
temem o destino do nosso planeta
Gritam liberdade
fraternidade
igualdade de oportunidades
Fim das guerras , do comercio de armamento e das drogas
do tráfego e escravatura de pessoas.
Respondemos ?
Bruxelas, 13/05/2008 -numa explanada, num dia de calor abrasador
Corro atrás das palavras
Para as colar , dar-lhes nexo
Ao alinhar letras, ideias
Gozo e venho-me. É tão bom como o sexo.
O ingénuo grito do ex-proleta Bob Geldof :
Meus senhores, “Há fome neste mundo de opulência
E podem acabar com ela”
vossas excelências ou vossas reverências.
Despertam consciências adormecidas
Levantam-se gestos, movimentam-se pessoas
Montam-se logo paredes ,de policias de intervenção, tanques, canhões,
As costumadas defesas dos interesses bem instalados,
que nos asfixiam, toldam vontades, anestesiam-nos
A todos?
BOB, Havemos de conseguir!
Bob, Bob, tu tens razão!
Eles andam de mãos dadas com o sangue!
Estamos a chegar ao fim do mundo, numa atitude laxista e suicida sem precedentes?
Os outros que se lixem, não têm direito a nada, brancos somos nós
Fomos nós com o nosso trabalho e fruto do nosso suor, que ganhámos o direito ao conforto e à qualidade de vida que temos. Não temos nada a partilhar com
Chineses? Indianos? Pretos Africanos? Latino - Americanos?
Que é lá isso????????
Olha meu,
ás vezes lembro-me do que dizia o Mao “ a revolução não é um jantar festivo ou fazer um bordado delicado, é um acto de violência....”
É com isso que nos presenteiam diariamente: violência a todos os níveis .
Integrada na normalidade do quotidiano para não darmos por ela?
Bob
Antes de estarmos todos:
anestesiados pela TV
pelos discursos redondos e sem conteúdo
Números obedientes ,disciplinados
APÁTICOS e agradecidos.
Vivemos o dia a dia
na fila de carros para o trabalho,
as 8 horas produtivas no trabalho
o regresso para casa, do outro lado da via,
mas em fila
sem tempo nem vontade para nada .
Liga a TV, come, deita os filhos
Sexo? Estou cansada.
Dorme, levanta-te, corre para o infantário
Para a fila , para o trabalho, corre, corre
ainda há quem resista?
Juntemo-nos aos jovens revoltosos de todos os países
Aos que
contestam esta globalização
desconfiam destas democracias
(onde o nosso direito é votar)
temem o destino do nosso planeta
Gritam liberdade
fraternidade
igualdade de oportunidades
Fim das guerras , do comercio de armamento e das drogas
do tráfego e escravatura de pessoas.
Respondemos ?
Bruxelas, 13/05/2008 -numa explanada, num dia de calor abrasador
UMA METÁFORA DOS NOSSOS DIAS - conto contemporâneo (reflexões sobre o nosso quotidiano)
Peço – vos que embarquem comigo numa curta viagem metafórica...
No dia 11 de Setembro de 2001, deflagrou na cidade de NY uma bomba atómica de fraca potencia : dois Boeings. O ataque foi organizado pelo exército irregular do cartel da droga do Afeganistão.
É diária a acção dos piratas ao largo da Somália desafiando as marinhas de guerra de diversos países.
Forças difusas impedem a defesa do ambiente, o controlo das emissões de CO2, que se traduzem nas radicais modificações climatéricas que nos assolam, com as chuvas torrenciais ,tsunami ,secas...
O narcotráfico (quase?) controla a Guiné, como plataforma de distribuição do produto pelos 5 cantos do mundo...
Quem viu o telejornal do dia 18 de Abril pode ver um dos chefes do cartel da droga Colombiana que foi preso, e ouviu, que ele tem apenas um pequeno exército de 1.000 soldados…
Não são precisos mais exemplos: basta ler atentamente os jornais.
Algures no início de 2001 o grandes senhores do lado negro do mundo, (O “G 20” do outro lado do espelho) constituído por traficantes de armas, de droga, do jogo, de escravos, de mulheres, de crianças e de órgãos, chegaram à conclusão que detinham mais dinheiro e força militar, que o lado estruturado da economia e, por isso, podiam e deviam passar para outro nível de intervenção.
O plano tinha sido bem gizado e melhor executado:
Foi exigido sobretudo às máfias italiana, russa e chinesa, que acabassem as guerras pelo domínio territorial e mercantil.
A paz necessária para o confronto que se iria aproximar, foi conseguida, deixando-se a possibilidade de os gangues poderem fazer ajustes de conta pontuais.
Os negócios mais pequenos foram passados a novos arrivistas, a quem era necessário acolher e garantir proveito.
“Do lado de cá”, do lado da economia estruturada, das nações, os políticos, cada vez mais cinzentões e oriundos dos aparelhos partidários , aceitaram a imposição do capital, permitindo-lhe a livre circulação do dinheiro sem qualquer controlo .Os bancos centrais nacionais pouco ou nenhum controlo puderam fazer sobre os paraísos fiscais, a banca em geral e as sociedades para-bancárias.
Muitas das grandes empresas, já infiltradas no seu capital social pelos especuladores e “testas de ferro” destas organizações, viram-se forçadas pelos seus accionistas, a obterem lucro e mais lucro sem olhar a como, nem porquê.
As empresas mais vulneráveis tiveram que abrir “os cordões à bolsa” dando benesses aos seus gestores de topo e quadros superiores, que foram bem gratificados por cumprirem esses objectivos actuando em mercados especulativos, não produtivos e pouco transparentes.
Muitas das empresas apenas se mantêm em funcionamento graças à capacidade de resistência/adaptação dos seus empresários para subsistirem a esta avassaladora onda destruidora do tecido empresarial estruturado.
Preocuparam-se em ter um desenvolvimento sustentável, abriram novos mercados aproveitando a janela da mundialização, aplicaram fundos na investigação, no desenvolvimento tecnológico e na formação contínua dos seus trabalhadores, melhorando-lhes as condições de trabalho, recompensando a produtividade a iniciativa e a criatividade.
São as empresas produtoras, do comércio e dos serviços que vão existir no pós-crise e colherem os benefícios do seu comportamento ético nos negócios.
Por exemplo A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, compreendendo a situação, deu o exemplo. Criou um código de ética para o comércio e serviços, que desenha caminhos éticos, de cidadania empresarial, e incentiva as empresas filiadas nas Associações , a que no âmbito global da sua actividade, procederem de acordo com essas preocupações. Foi a única.
O “outro lado” foi invadindo, nos mais diversos campos da economia, o mercado estruturado criando-lhe necessidades e dificuldades, , através de gigantescos investimentos em produtos de primeira necessidade, fazendo subir os preços pela retenção desses bens. Objectivo conseguido: obtenção de lucros cada vez mais significativos e chorudos e consequentes distúrbios na bolsa e nos mercados.
A lavagem do dinheiro tornou-se um caso banal, com a abertura de centenas de empresas - fachada dessa actividade.
As pessoas não escaparam a este mundo especulativo onde o dinheiro e toda a actividade económica se voltou para o lucro sem regras, para a obtenção de ganhos sem limites , da venda de papel sobre papel, com pouco ou nenhum suporte material para a sustentar (uma das primeiras bolhas a explodir do lado formal da economia foi o imobiliário, depois o bancário....e assim sucessivamente) . Como dizia, as pessoas não escaparam e o tráfego de mão de obra passou a ser também uma actividade florescente .
Estou a falar da parte do icebergue que está debaixo de água, pois a ponta é sobejamente conhecida de todos.
O não tomar decisões nesta guerra económica sem inimigo reconhecível e supranacional conduzir-nos-á ao mundo apocalíptico onde não podemos nem devemos deixar cair a humanidade ( lembram-se dos filmes do Mad Max?)
Que fazer então?
Como passamos à acção?
Permitam-me a imodéstia :
1. Os políticos têm que vir ao campo de batalha . Mas ao campo certo, ao laboral por exemplo. O campo onde o inimigo prolifera sem controlo e, arrogante na sua impunidade, já se acha à beira da vitória, num mundo totalmente desregulado e moldado ás suas leis, desejos e vontades.
2. Há que controlar efectivamente os fluxos de dinheiro, e a especulação, sem rei nem roque, que anda à solta por aí.
3. A sociedade civil tem de acordar e exigir aos políticos que elegeu, que a defendam. Nós também temos um papel importante a desempenhar Não há qualquer possibilidade de vitória contra este inimigo forte e difuso, sem uma verdadeira conjugação de esforços a nível mundial, com politicas verdadeiramente concertadas, o que, infelizmente não está a acontecer.
4. Os políticos têm que dar condições efectivas à Inspecção de Trabalho para que possa agir com a máxima celeridade e com todo o apoio que for considerado necessário, para encerrar imediatamente as empresas que produzem na base do trabalho clandestino, irregular, não declarado, infantil ou escravo. Estas ditas empresas do sector informal estão a destruir de um modo bem planificado, o sector estruturado da economia - suporte da estabilidade e da paz social -
5. Os políticos têm que interagir com os parceiros sociais que estão diariamente no terreno, que são o baluarte da defesa da economia estruturada, da iniciativa criativa, do investimento sustentado, num ambiente de trabalho digno e no respeito das normas fundamentais da OIT. Os parceiros sociais empresariais e sindicais podem e devem dar um valioso contributo nesta matéria. É o futuro das pessoas e do empreendorismo que está em jogo. È um problema que só se resolve com acções conjuntas em moldes de confiança e de respeito mútuo.
6. Há empresários que sentem efectivamente na pele as dificuldades da falta de tesouraria, do aumento dos “spreads”, as exigências das tais empresas que os obrigam a esmagar as margens de comercialização, a adulterarem a qualidade do serviço a prestar e, serem empurrados para incumprimentos, com o fito da sobrevivência ou para o suicídio..
7. O contributo e a participação dos parceiros sociais, na primeira linha do combate , é fundamental para o sucesso nesta guerra de novo figurino, que ainda está a revelar os seus contornos.
8. Não nos “deixemos anestesiar ” pela crise financeira, que depois se transformou em económica. Esta é apenas a ponta do icebergue, que é constituída pelo problema imobiliário, bancário, a indústria automóvel e tantas outras actividades económicas, em layoff , ou que despediram em massa ou, simplesmente , que faliram e encerraram a actividade.
9. Tenhamos presentes que os primeiros trabalhadores a sofrer com a crise foram os trabalhadores temporários que vão ter o período mais longo de desemprego, seguindo-se então os contratados a termo e depois os contratados sem termo, a quem ainda dizem, que têm emprego para a vida. São necessárias medidas efectivas para que todos estes trabalhadores, cada um na sua dimensão, não caiam na exclusão social, conducente a situações que se poderiam evitar. As Empresas do Trabalho temporário Organizado, o sector privado de emprego, quer queiram quer não, são aliados naturais da Inspecção Geral do Trabalho, no combate ao trabalho ilegal, não declarado, clandestino ou escravo, pois estas formas ditas informais são o vírus mortal das empresas estruturadas e cumpridoras.
10. É necessário incentivar, por exemplo, o diálogo entre o sector público e privado de emprego. Não há justificação aceitável para a falta de iniciativas conjuntas, neste tempo de crise e de desemprego crescente.
11. Os sindicatos e as associações empresariais têm que encontrar consensos e têm que desenhar acções conjuntas, respeitando-se para que o futuro que se vier a criar por causa deles, não seja negro, mas sim, e finalmente, um futuro de prosperidade de paz e compreensão entre os povos.
12. É por isso que o esforço conjugado de todos - esforço tripartido - pode e deve ser o motor da vitória, da erradicação e prisão de todos estes especuladores e criminosos que tentam ganhar esta terceira guerra mundial em que estamos mergulhados sem o querermos
Chegámos ao apeadeiro desta vertiginosa viagem num TGV da metáfora.
Espero que não se tenham assustado muito.
Acredito na humanidade e na sua lucidez.
No dia 11 de Setembro de 2001, deflagrou na cidade de NY uma bomba atómica de fraca potencia : dois Boeings. O ataque foi organizado pelo exército irregular do cartel da droga do Afeganistão.
É diária a acção dos piratas ao largo da Somália desafiando as marinhas de guerra de diversos países.
Forças difusas impedem a defesa do ambiente, o controlo das emissões de CO2, que se traduzem nas radicais modificações climatéricas que nos assolam, com as chuvas torrenciais ,tsunami ,secas...
O narcotráfico (quase?) controla a Guiné, como plataforma de distribuição do produto pelos 5 cantos do mundo...
Quem viu o telejornal do dia 18 de Abril pode ver um dos chefes do cartel da droga Colombiana que foi preso, e ouviu, que ele tem apenas um pequeno exército de 1.000 soldados…
Não são precisos mais exemplos: basta ler atentamente os jornais.
Algures no início de 2001 o grandes senhores do lado negro do mundo, (O “G 20” do outro lado do espelho) constituído por traficantes de armas, de droga, do jogo, de escravos, de mulheres, de crianças e de órgãos, chegaram à conclusão que detinham mais dinheiro e força militar, que o lado estruturado da economia e, por isso, podiam e deviam passar para outro nível de intervenção.
O plano tinha sido bem gizado e melhor executado:
Foi exigido sobretudo às máfias italiana, russa e chinesa, que acabassem as guerras pelo domínio territorial e mercantil.
A paz necessária para o confronto que se iria aproximar, foi conseguida, deixando-se a possibilidade de os gangues poderem fazer ajustes de conta pontuais.
Os negócios mais pequenos foram passados a novos arrivistas, a quem era necessário acolher e garantir proveito.
“Do lado de cá”, do lado da economia estruturada, das nações, os políticos, cada vez mais cinzentões e oriundos dos aparelhos partidários , aceitaram a imposição do capital, permitindo-lhe a livre circulação do dinheiro sem qualquer controlo .Os bancos centrais nacionais pouco ou nenhum controlo puderam fazer sobre os paraísos fiscais, a banca em geral e as sociedades para-bancárias.
Muitas das grandes empresas, já infiltradas no seu capital social pelos especuladores e “testas de ferro” destas organizações, viram-se forçadas pelos seus accionistas, a obterem lucro e mais lucro sem olhar a como, nem porquê.
As empresas mais vulneráveis tiveram que abrir “os cordões à bolsa” dando benesses aos seus gestores de topo e quadros superiores, que foram bem gratificados por cumprirem esses objectivos actuando em mercados especulativos, não produtivos e pouco transparentes.
Muitas das empresas apenas se mantêm em funcionamento graças à capacidade de resistência/adaptação dos seus empresários para subsistirem a esta avassaladora onda destruidora do tecido empresarial estruturado.
Preocuparam-se em ter um desenvolvimento sustentável, abriram novos mercados aproveitando a janela da mundialização, aplicaram fundos na investigação, no desenvolvimento tecnológico e na formação contínua dos seus trabalhadores, melhorando-lhes as condições de trabalho, recompensando a produtividade a iniciativa e a criatividade.
São as empresas produtoras, do comércio e dos serviços que vão existir no pós-crise e colherem os benefícios do seu comportamento ético nos negócios.
Por exemplo A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, compreendendo a situação, deu o exemplo. Criou um código de ética para o comércio e serviços, que desenha caminhos éticos, de cidadania empresarial, e incentiva as empresas filiadas nas Associações , a que no âmbito global da sua actividade, procederem de acordo com essas preocupações. Foi a única.
O “outro lado” foi invadindo, nos mais diversos campos da economia, o mercado estruturado criando-lhe necessidades e dificuldades, , através de gigantescos investimentos em produtos de primeira necessidade, fazendo subir os preços pela retenção desses bens. Objectivo conseguido: obtenção de lucros cada vez mais significativos e chorudos e consequentes distúrbios na bolsa e nos mercados.
A lavagem do dinheiro tornou-se um caso banal, com a abertura de centenas de empresas - fachada dessa actividade.
As pessoas não escaparam a este mundo especulativo onde o dinheiro e toda a actividade económica se voltou para o lucro sem regras, para a obtenção de ganhos sem limites , da venda de papel sobre papel, com pouco ou nenhum suporte material para a sustentar (uma das primeiras bolhas a explodir do lado formal da economia foi o imobiliário, depois o bancário....e assim sucessivamente) . Como dizia, as pessoas não escaparam e o tráfego de mão de obra passou a ser também uma actividade florescente .
Estou a falar da parte do icebergue que está debaixo de água, pois a ponta é sobejamente conhecida de todos.
O não tomar decisões nesta guerra económica sem inimigo reconhecível e supranacional conduzir-nos-á ao mundo apocalíptico onde não podemos nem devemos deixar cair a humanidade ( lembram-se dos filmes do Mad Max?)
Que fazer então?
Como passamos à acção?
Permitam-me a imodéstia :
1. Os políticos têm que vir ao campo de batalha . Mas ao campo certo, ao laboral por exemplo. O campo onde o inimigo prolifera sem controlo e, arrogante na sua impunidade, já se acha à beira da vitória, num mundo totalmente desregulado e moldado ás suas leis, desejos e vontades.
2. Há que controlar efectivamente os fluxos de dinheiro, e a especulação, sem rei nem roque, que anda à solta por aí.
3. A sociedade civil tem de acordar e exigir aos políticos que elegeu, que a defendam. Nós também temos um papel importante a desempenhar Não há qualquer possibilidade de vitória contra este inimigo forte e difuso, sem uma verdadeira conjugação de esforços a nível mundial, com politicas verdadeiramente concertadas, o que, infelizmente não está a acontecer.
4. Os políticos têm que dar condições efectivas à Inspecção de Trabalho para que possa agir com a máxima celeridade e com todo o apoio que for considerado necessário, para encerrar imediatamente as empresas que produzem na base do trabalho clandestino, irregular, não declarado, infantil ou escravo. Estas ditas empresas do sector informal estão a destruir de um modo bem planificado, o sector estruturado da economia - suporte da estabilidade e da paz social -
5. Os políticos têm que interagir com os parceiros sociais que estão diariamente no terreno, que são o baluarte da defesa da economia estruturada, da iniciativa criativa, do investimento sustentado, num ambiente de trabalho digno e no respeito das normas fundamentais da OIT. Os parceiros sociais empresariais e sindicais podem e devem dar um valioso contributo nesta matéria. É o futuro das pessoas e do empreendorismo que está em jogo. È um problema que só se resolve com acções conjuntas em moldes de confiança e de respeito mútuo.
6. Há empresários que sentem efectivamente na pele as dificuldades da falta de tesouraria, do aumento dos “spreads”, as exigências das tais empresas que os obrigam a esmagar as margens de comercialização, a adulterarem a qualidade do serviço a prestar e, serem empurrados para incumprimentos, com o fito da sobrevivência ou para o suicídio..
7. O contributo e a participação dos parceiros sociais, na primeira linha do combate , é fundamental para o sucesso nesta guerra de novo figurino, que ainda está a revelar os seus contornos.
8. Não nos “deixemos anestesiar ” pela crise financeira, que depois se transformou em económica. Esta é apenas a ponta do icebergue, que é constituída pelo problema imobiliário, bancário, a indústria automóvel e tantas outras actividades económicas, em layoff , ou que despediram em massa ou, simplesmente , que faliram e encerraram a actividade.
9. Tenhamos presentes que os primeiros trabalhadores a sofrer com a crise foram os trabalhadores temporários que vão ter o período mais longo de desemprego, seguindo-se então os contratados a termo e depois os contratados sem termo, a quem ainda dizem, que têm emprego para a vida. São necessárias medidas efectivas para que todos estes trabalhadores, cada um na sua dimensão, não caiam na exclusão social, conducente a situações que se poderiam evitar. As Empresas do Trabalho temporário Organizado, o sector privado de emprego, quer queiram quer não, são aliados naturais da Inspecção Geral do Trabalho, no combate ao trabalho ilegal, não declarado, clandestino ou escravo, pois estas formas ditas informais são o vírus mortal das empresas estruturadas e cumpridoras.
10. É necessário incentivar, por exemplo, o diálogo entre o sector público e privado de emprego. Não há justificação aceitável para a falta de iniciativas conjuntas, neste tempo de crise e de desemprego crescente.
11. Os sindicatos e as associações empresariais têm que encontrar consensos e têm que desenhar acções conjuntas, respeitando-se para que o futuro que se vier a criar por causa deles, não seja negro, mas sim, e finalmente, um futuro de prosperidade de paz e compreensão entre os povos.
12. É por isso que o esforço conjugado de todos - esforço tripartido - pode e deve ser o motor da vitória, da erradicação e prisão de todos estes especuladores e criminosos que tentam ganhar esta terceira guerra mundial em que estamos mergulhados sem o querermos
Chegámos ao apeadeiro desta vertiginosa viagem num TGV da metáfora.
Espero que não se tenham assustado muito.
Acredito na humanidade e na sua lucidez.
NÃO HÁ JANTARES GRÁTIS ! -A CRISE- UMA VISÃO PROVOCATÓRIE E POLÍTICAMENTE INCORRECTA
(em estilo de melopeia, repita até se cansar)
Todos nós tivemos culpa.
Todos nós tivemos culpa
Todos nós tivemos culpa
Mea culpa, mea culpa...
Perdão, perdão............
TODOS NÒS TIVEMOS CULPA !!!!
Toda a gente achou normal que as empresas, as seguradoras e a banca tivessem ganhos na ordem dos 30, 40% ou mais, pois houve quem disso fizesse eco com grande alarido na imprensa antes do fim do ano projectando os resultados previsíveis de 2008.
Ninguém quis ouvir as poucas e conscientes vozes que gritavam: BASTA !
Assim entrámos e patins na maior crise financeira de sempre, que arrastou a economia de todos os países, onde a recessão vai tomando o seu espaço, com as consequências previsíveis: desemprego, encerramento de pequenas actividades económicas ( as micro e as PMEs, agora tão na boca dos políticos) ,as grandes umas sim outras não, aproveitam-se da crise e lá despedem uns milhares de trabalhadores, ou seja ainda mais desemprego, que nos arrasta até “batermos com os costados bem no fundo”! ainda não atingimos este estado!!!!!!
Se estivéssemos noutro período da história estávamos no ponto de rebuçado para uma revolta/revolução do tipo da revolução Bolchevique , do PREC português, etc ;
Os tempos são outros, as pessoas temem o futuro e calam-se, afastaram-se dos movimentos políticos que não têm liderança carismática e/ou mobilizadora.
O mesmo se passa a nível sindical e a sociedade civil ainda não reproduziu nenhum líder, seja do que for, com força/carisma mobilizadora da revolta que está sempre subjacente as convulsões sociais que se anunciam .
Não havendo liderança quer nacional quer nos nossos parceiros da EU, ou mundialmente, os países e as regiões são lideradas por cinzentões oportunistas, formados nas “Jotas”, corruptos ou semi-corruptos e tirando OBAMA, não encontro nada , nem ninguém capaz de ser portador de utopia, da utopia perdida, hoje mais do que necessária para o nosso futuro como Humanidade.
O terreno está maduro para que possa nascer um neo-nacionalismo xenófobo, fácil de fazer crescer e sedutor quanto baste, vejam as tentativas proteccionistas, anunciadas hoje repudias amanhã, o caso está feio pois e a História já deu registou acontecimentos semelhantes.... e olhem que não sou daqueles que dizem que a história se repete...,
Acham então que não?
Seu, Lunático, esquerdoide, é fácil que pense que vais ser assim , que há espaço para outro Maio de 68, ou um 25 de Abril mundial...Ateu e laico...hummm.... só podia dar nisto!!!
.AH AH AH.... deixe- nos rir. Ai ,a i,ai...
Calma meus senhores e minhas senhoras :
Já se esqueceram do que se passou recentemente na Grécia, no surto grevista importante a nível mundial??? As manifestações dos sem abrigo em Madrid ? Em Paris ?E a questão do lixo em Itália???? As vendas de apartamentos em leilões, um pouco por todo o lado....
Fui por aqui a diante e se calhar muito depressa.
Para registo : NADA SERÁ COMO DANTES, ou algum tem dúvidas????
Se tem guarde-as, depois logo vemos
Rebobinemos o filme:
1. Há quantos anos estalou a crise de valores na família , com tornar as crianças competitivas e vencedoras desde a mais tenra idade, não as deixando viver os sonhos de ser criança?
2. Quando estalou a crise de valores, todos nós incomodámos com a falta de ética pessoal, profissional que se ia instalando subtilmente .
Os jovens a não respeitarem os mais velhos, os pais os professores.
O sistema neo-liberal, precisava de cortar estas marras para poder crescer, ter gestores decididos a tudo, nem que seja sobre os ombros, ou sobre os outros ou…. Pessoas capazes de tudo, para ganhar e progredir na carreira profissional e nas benesses económicas, foram aparecendo, cilindrando os outros e gradualmente formaram as castas de gestores, dos gestores neo - liberais , crentes nos valores globais dos mercados, no dinheiro…e defensores acérrimos da auto-regulação....( viu-se no que deu a falta de regulação dos mercados financeiros)
3. E nós que fizemos? Fomo-nos acomodando, assistindo a esta invasão dos “sem cultura” ,que também foram destruindo o planeta, não tomando as medidas necessárias para estancar as emissões de Co2, pouco ou nada se preocupando com as dêsmatações ( as madeiras valem que se farta nos novos mercados), com as alterações climatéricas, com a protecção das espécies ( qualquer dia queremos comer um peixe e só o teremos de aquocultura)
Lembremo-nos :
• A ONC regula e regulamenta todo o comércio mundial
• Todas as actividades económicas têm regulamentos específicos que a nível mundial, ou regional que se interligam (caso dos transportes, dos serviços, agricultura, construção, etc)
• Os estados assinaram a LIVRE CIRCULAÇÃO DOS CAPITAIS como uma panaceia para melhorar os crescimentos económicos e talvez uma melhor distribuição de recursos
• Ou seja a única actividade económica que ficou livre e que “aje sem restrições “ foi a financeira. O capital circula sem que os estados o saibam no momento, sabem depois.
• Dupla vulnerabilidade
1. : Ficámos todos a pensar que as entidades reguladoras e os Bancos nacionais tinham poder suficiente para exercerem a vigilância necessária. Não era verdade
2. Portugal ou qualquer outro país pode acordar falido, pois o “nosso dinheiro” pode ser transferido nessa noite para obscuros off-shores
• O dinheiro não é chocolate, não derreteu ! MAS o dinheiro que existe e de facto o que existia antes da especulação, e essa era papel que voou, na primeira corrente de ar
• Pesem assim : tenho uma casa que comprei por 5. O banco emprestou-me 4,5 .
O banco agarra na minha hipoteca de 5 e, como sou um cliente fiável vende o meu crédito por 7,5 pois é um bom negócio para quem o comprar porque eu vou pagar 10 com todos os juros e taxas bancárias. A entidade compradora, sabendo disso procurará um comprador que pague 10. Ora o que se andou a transaccionar foi papel. A casa tinha sido construída na base de hipoteca portanto o valor real da minha fracção era afinal de 3,5…..
Ora é claro que quando vem a crise para os 10 ou mais, transaccionados, existe um valor de 3,5 e a incapacidade de o comprador pagar as prestações !!!!!!
É , claro o fim desta espiral de especulação, não é?
Imagem grosseira e simplista?
Mas o processo foi como ???? Como?
Que se passou com o petróleo, o gás e até com os cereais ?
Mais uma vez os especuladores caíram que nem abutres sobre estes 3 artigos, comprando-os , retendo-os tempo suficiente para que os preços aumentassem para valores “interessantes” ou sejam os ditos ganhos fáceis. Quando os produtos atingiram esses valores esperados, então o petróleo, os cereais e o gás foram inseridos a pouco e pouco, nos mercados, obtendo esses investidores, lucros fabulosos, com os evidentes custos sociais !!!
Alguns malefícios das energias alternativas
Como se dêem lembrar , no meio da crise do petróleo, foi dito e redito que eram precisas as energias alternativas, sobretudo as bioenergias e lá foram os especuladores oferecer “bom dinheiro a camponeses no Brasil , e da para só citar 2 países que deslumbrados com o dinheiro, venderam terrenos aráveis ou florestas, que foram de imediato transformados em viveiros de produtos transgénicos e de utilização industrial .
AINDA A BANCA
O mundo atravessa a mais grave crise financeira desde 1930.
A estimativa das percas dos bancos, segundo o fundo Monetário Internacional, deve rondar os 1.700 milhares de Euros e a crise segundo estimativas da OIT, deverá gerar a perca de emprego a mais de 51 milhões de pessoas no mundo.
Estes dois números aterradores não impediu que a banca nos EU tivesse distribuído 15,3 milhões de euros no final do ano como comissões e prémios .O caso mais chocante???A crise custou 44 milhões de euros ao MERRILL LYNCH , no entanto os seus dirigentes não se coibiram de distribuir 2,8 milhões a 700 dos seus quadros superiores. Este bónus foi pago em segredo, em Dezembro, um pouco antes do banco ser salvo pela intervenção do banco da América
Por cá não há dados tão demonstrativos mas...todos sabemos que algo vai mal, muito mal por estas bandas. Especulação aumento dos spreads , etc , etc.
Os G8, G20 falam que vão tomar drásticas medidas para que uma crise financeira como esta não se repita. Tabelar os prémios e os bónus dos dirigentes e directores gerais da banca privada, fechar os offshores....conseguirão?
10 pontos a não esquecer :
1. A BANCA: a maioria dos bancos envolveu-se neste tipo de especulação com- prando e valorizando carteiras de valores baseados em papel cujo valor atingiu valores inconcebíveis e insustentáveis; os pequenos investidores compraram acções de empresas a 30 e tal euros que agora não valem mais de 1 euro....
2. Os valores salariais e prémios atribuídos aos gestores das grandes empresas e das empresas do sector público, acompanhou esta “euforia” atingindo valores nunca vistos
3. Os produtos tais como o petróleo, o gás natural e os alimentares entraram nesta cadeia de especulação atingindo valores impraticáveis. Ao que parece nestas áreas será difícil que os especuladores possam voltar a deitar a mão…
4. As constantes deslocalizações das empresas para paraísos “ laborais” onde os mínimos de trabalho com independência , normalmente remunerado, e com respeito pelo cidadão e sua liberdades não se verifica, contribuindo assim para a destruição lenta e programada do sectores económicos cumpridores do seu papel na sociedade onde estão inseridos, pagando impostos e taxas para o exercício da actividade.
5. Produtos lançados nos mercados tanto no sector alimentar como na estética, sem a observação da normas de higiene e de qualidade que deviam ser observados, pondo em risco a saúde e o bem estar das populações. Sabe que os nano-produtos inundam a cosmética, os shampoos , detergentes, ( para só citar produtos caseiros,) que todos estes produtos são diariamente manipulados por trabalhores sem que se saibam ainda os riscos que daí podem advir.... e para quem os usa???
6. Numero crescente de novas empresas sem negócio aparente, cuja constituição serve para branquear dinheiro do tráfego de droga, de mulheres e crianças e de armas.
7. De onde veio o dinheiro que foi gasto em valores astronómicos no leilão do século que aconteceu há dias em Paris, na venda dos bens de Yves St Laurent?
8. Há quanto tempo se vem abrindo o fosso entre os ricos e os pobres com a destruição da classe abastada, mais conhecida por burguesia ??
9. Porque se criou a necessidade de um diploma superior, em detrimento de um curso técnico, com a correspondente constituição de um numero importante de desempregados licenciados e por via disso maduros para exercer facilmente as ordens de um CA ausente e de uns accionistas cada vez mais exigentes na rendibilidade, seja a que título for, do dinheiro investido
10. Cerca de 30% da economia europeia tem o estatuto de INFORMAL, o que em português vernáculo, quer dizer ILEGAL, ou seja um circuito onde o dinheiro circula por fora do circuito normal , não paga impostos, não tem princípio(S) ,nem fim
E, meus senhores e minhas senhoras, devíamos estar fartos, dar um murro na mesa.
Vamos???
Não custa muito, ora vá lá levante um braço acima da cabeça e Zás, dá com toda a força na mesa. Vamos tentar agora????
Agora??? Assim sem mais nem menos??? Não estamos habituados a tal....vamos ter que pensar..
Votámos nos governantes.... vamos esperar calma e serenamente que resolvam os problemas, sabemos lá..... utilizem o NOSSO dinheiro com quiserem, mas acabem com a crise ,com estes noticiários, com isto..... tirem-nos deste filme que não é nosso !!!!!
Dedução errada o filme é nosso e nele somos todos protagonistas.
Todos depositamos a esperança e , olhamos para a USA na expectativa que o presidente OBAMA resolva o problema lá na casa dele que nós por arrasto encontraremos a nossa solução.
Mais uma vez, ERRADO.
O problema e a sua solução nos EUA , na EU, na China, na África, na América Latina necessita de resposta globalizada sim mas respeitando as particularidades e o desenvolvimento de cada região .
E ENTÃO EM QUE É QUE FICAMOS, não acertamos uma ???’
Não sou um pessimista, sou um optimista no sentido em que acredito nas pessoas ,na HUMANIDADE e por isso acredito que no fim desta crise haverá uma retoma de valores, um voltar ao Humanismo, á fraternidade , à responsabilidade, num mundo melhor e mais saudável para todos.
Aqui e ali emitem-se sinais ténuos e discretos .
A OIT fala alem de suster o trabalho digno (a palavra inglesa é bem mais explícita :decent work) mas vai entretanto falando de postos de trabalho verdes, de trabalho verde, ou seja começa a induzir no trabalho individual o conceito ambiental, a UE volta a por na ordem do dia a responsabilidade social das organizações, com a preparação de directivas ou revisão delas quanto a trabalhadores deslocados, estabelece acordos entre as Inspecções de trabalho para que funcionem transnacionalmente no combate ao trabalho não declarado, clandestino e escravo.
Ou seja ,meus amigos, acabou-se!
As empresas que há anos arrastam a falência, desta vez vão falir mesmo, as empresas que tiverem maus comportamentos no seu funcioamento, tanto com os trabalhadores como com as partes interessadas (os chamados stake-holders) terão um futuro difícil.
As empresas que hoje começarem a reflectir quais os caminhos para encontrar as melhores oportunidades desta crise, e onde querem estar quando ela acabar, terão um amanhã, as outras vão esboroar-se pelo caminho.
Não quero tentar sequer fazer futurologia mas pensem:
Haverá uma nova ordem mundial, serão claros os blocos de interesses e as suas lideranças, Os EUA, continuarão a ser uma potencia mundial ,mas mais dialogante e menos arrogante .
A Rússia, a China, a Índia, estas potentados económicos emergentes, atingirão o estatuto de potencia mundial, correm o risco de serem apenas regionais ou quererão esse estatuto?
E, a UE será uma potencia regional ou mundial?
Que se desenhará na América latina o Brasil conseguirá lidera este continente e com a África dominar o atlântico SUL???
Muitas interrogações com resposta mais cedo do que se previa, crise “oblige”
O comercio terá um rosto humano, a especulação será bastante controlada ou quase impossível, os bancos nacionais serão empossados de mais competências para fiscalizarem a actividade bancária.
Lisboa , Abril de 2009
Todos nós tivemos culpa.
Todos nós tivemos culpa
Todos nós tivemos culpa
Mea culpa, mea culpa...
Perdão, perdão............
TODOS NÒS TIVEMOS CULPA !!!!
Toda a gente achou normal que as empresas, as seguradoras e a banca tivessem ganhos na ordem dos 30, 40% ou mais, pois houve quem disso fizesse eco com grande alarido na imprensa antes do fim do ano projectando os resultados previsíveis de 2008.
Ninguém quis ouvir as poucas e conscientes vozes que gritavam: BASTA !
Assim entrámos e patins na maior crise financeira de sempre, que arrastou a economia de todos os países, onde a recessão vai tomando o seu espaço, com as consequências previsíveis: desemprego, encerramento de pequenas actividades económicas ( as micro e as PMEs, agora tão na boca dos políticos) ,as grandes umas sim outras não, aproveitam-se da crise e lá despedem uns milhares de trabalhadores, ou seja ainda mais desemprego, que nos arrasta até “batermos com os costados bem no fundo”! ainda não atingimos este estado!!!!!!
Se estivéssemos noutro período da história estávamos no ponto de rebuçado para uma revolta/revolução do tipo da revolução Bolchevique , do PREC português, etc ;
Os tempos são outros, as pessoas temem o futuro e calam-se, afastaram-se dos movimentos políticos que não têm liderança carismática e/ou mobilizadora.
O mesmo se passa a nível sindical e a sociedade civil ainda não reproduziu nenhum líder, seja do que for, com força/carisma mobilizadora da revolta que está sempre subjacente as convulsões sociais que se anunciam .
Não havendo liderança quer nacional quer nos nossos parceiros da EU, ou mundialmente, os países e as regiões são lideradas por cinzentões oportunistas, formados nas “Jotas”, corruptos ou semi-corruptos e tirando OBAMA, não encontro nada , nem ninguém capaz de ser portador de utopia, da utopia perdida, hoje mais do que necessária para o nosso futuro como Humanidade.
O terreno está maduro para que possa nascer um neo-nacionalismo xenófobo, fácil de fazer crescer e sedutor quanto baste, vejam as tentativas proteccionistas, anunciadas hoje repudias amanhã, o caso está feio pois e a História já deu registou acontecimentos semelhantes.... e olhem que não sou daqueles que dizem que a história se repete...,
Acham então que não?
Seu, Lunático, esquerdoide, é fácil que pense que vais ser assim , que há espaço para outro Maio de 68, ou um 25 de Abril mundial...Ateu e laico...hummm.... só podia dar nisto!!!
.AH AH AH.... deixe- nos rir. Ai ,a i,ai...
Calma meus senhores e minhas senhoras :
Já se esqueceram do que se passou recentemente na Grécia, no surto grevista importante a nível mundial??? As manifestações dos sem abrigo em Madrid ? Em Paris ?E a questão do lixo em Itália???? As vendas de apartamentos em leilões, um pouco por todo o lado....
Fui por aqui a diante e se calhar muito depressa.
Para registo : NADA SERÁ COMO DANTES, ou algum tem dúvidas????
Se tem guarde-as, depois logo vemos
Rebobinemos o filme:
1. Há quantos anos estalou a crise de valores na família , com tornar as crianças competitivas e vencedoras desde a mais tenra idade, não as deixando viver os sonhos de ser criança?
2. Quando estalou a crise de valores, todos nós incomodámos com a falta de ética pessoal, profissional que se ia instalando subtilmente .
Os jovens a não respeitarem os mais velhos, os pais os professores.
O sistema neo-liberal, precisava de cortar estas marras para poder crescer, ter gestores decididos a tudo, nem que seja sobre os ombros, ou sobre os outros ou…. Pessoas capazes de tudo, para ganhar e progredir na carreira profissional e nas benesses económicas, foram aparecendo, cilindrando os outros e gradualmente formaram as castas de gestores, dos gestores neo - liberais , crentes nos valores globais dos mercados, no dinheiro…e defensores acérrimos da auto-regulação....( viu-se no que deu a falta de regulação dos mercados financeiros)
3. E nós que fizemos? Fomo-nos acomodando, assistindo a esta invasão dos “sem cultura” ,que também foram destruindo o planeta, não tomando as medidas necessárias para estancar as emissões de Co2, pouco ou nada se preocupando com as dêsmatações ( as madeiras valem que se farta nos novos mercados), com as alterações climatéricas, com a protecção das espécies ( qualquer dia queremos comer um peixe e só o teremos de aquocultura)
Lembremo-nos :
• A ONC regula e regulamenta todo o comércio mundial
• Todas as actividades económicas têm regulamentos específicos que a nível mundial, ou regional que se interligam (caso dos transportes, dos serviços, agricultura, construção, etc)
• Os estados assinaram a LIVRE CIRCULAÇÃO DOS CAPITAIS como uma panaceia para melhorar os crescimentos económicos e talvez uma melhor distribuição de recursos
• Ou seja a única actividade económica que ficou livre e que “aje sem restrições “ foi a financeira. O capital circula sem que os estados o saibam no momento, sabem depois.
• Dupla vulnerabilidade
1. : Ficámos todos a pensar que as entidades reguladoras e os Bancos nacionais tinham poder suficiente para exercerem a vigilância necessária. Não era verdade
2. Portugal ou qualquer outro país pode acordar falido, pois o “nosso dinheiro” pode ser transferido nessa noite para obscuros off-shores
• O dinheiro não é chocolate, não derreteu ! MAS o dinheiro que existe e de facto o que existia antes da especulação, e essa era papel que voou, na primeira corrente de ar
• Pesem assim : tenho uma casa que comprei por 5. O banco emprestou-me 4,5 .
O banco agarra na minha hipoteca de 5 e, como sou um cliente fiável vende o meu crédito por 7,5 pois é um bom negócio para quem o comprar porque eu vou pagar 10 com todos os juros e taxas bancárias. A entidade compradora, sabendo disso procurará um comprador que pague 10. Ora o que se andou a transaccionar foi papel. A casa tinha sido construída na base de hipoteca portanto o valor real da minha fracção era afinal de 3,5…..
Ora é claro que quando vem a crise para os 10 ou mais, transaccionados, existe um valor de 3,5 e a incapacidade de o comprador pagar as prestações !!!!!!
É , claro o fim desta espiral de especulação, não é?
Imagem grosseira e simplista?
Mas o processo foi como ???? Como?
Que se passou com o petróleo, o gás e até com os cereais ?
Mais uma vez os especuladores caíram que nem abutres sobre estes 3 artigos, comprando-os , retendo-os tempo suficiente para que os preços aumentassem para valores “interessantes” ou sejam os ditos ganhos fáceis. Quando os produtos atingiram esses valores esperados, então o petróleo, os cereais e o gás foram inseridos a pouco e pouco, nos mercados, obtendo esses investidores, lucros fabulosos, com os evidentes custos sociais !!!
Alguns malefícios das energias alternativas
Como se dêem lembrar , no meio da crise do petróleo, foi dito e redito que eram precisas as energias alternativas, sobretudo as bioenergias e lá foram os especuladores oferecer “bom dinheiro a camponeses no Brasil , e da para só citar 2 países que deslumbrados com o dinheiro, venderam terrenos aráveis ou florestas, que foram de imediato transformados em viveiros de produtos transgénicos e de utilização industrial .
AINDA A BANCA
O mundo atravessa a mais grave crise financeira desde 1930.
A estimativa das percas dos bancos, segundo o fundo Monetário Internacional, deve rondar os 1.700 milhares de Euros e a crise segundo estimativas da OIT, deverá gerar a perca de emprego a mais de 51 milhões de pessoas no mundo.
Estes dois números aterradores não impediu que a banca nos EU tivesse distribuído 15,3 milhões de euros no final do ano como comissões e prémios .O caso mais chocante???A crise custou 44 milhões de euros ao MERRILL LYNCH , no entanto os seus dirigentes não se coibiram de distribuir 2,8 milhões a 700 dos seus quadros superiores. Este bónus foi pago em segredo, em Dezembro, um pouco antes do banco ser salvo pela intervenção do banco da América
Por cá não há dados tão demonstrativos mas...todos sabemos que algo vai mal, muito mal por estas bandas. Especulação aumento dos spreads , etc , etc.
Os G8, G20 falam que vão tomar drásticas medidas para que uma crise financeira como esta não se repita. Tabelar os prémios e os bónus dos dirigentes e directores gerais da banca privada, fechar os offshores....conseguirão?
10 pontos a não esquecer :
1. A BANCA: a maioria dos bancos envolveu-se neste tipo de especulação com- prando e valorizando carteiras de valores baseados em papel cujo valor atingiu valores inconcebíveis e insustentáveis; os pequenos investidores compraram acções de empresas a 30 e tal euros que agora não valem mais de 1 euro....
2. Os valores salariais e prémios atribuídos aos gestores das grandes empresas e das empresas do sector público, acompanhou esta “euforia” atingindo valores nunca vistos
3. Os produtos tais como o petróleo, o gás natural e os alimentares entraram nesta cadeia de especulação atingindo valores impraticáveis. Ao que parece nestas áreas será difícil que os especuladores possam voltar a deitar a mão…
4. As constantes deslocalizações das empresas para paraísos “ laborais” onde os mínimos de trabalho com independência , normalmente remunerado, e com respeito pelo cidadão e sua liberdades não se verifica, contribuindo assim para a destruição lenta e programada do sectores económicos cumpridores do seu papel na sociedade onde estão inseridos, pagando impostos e taxas para o exercício da actividade.
5. Produtos lançados nos mercados tanto no sector alimentar como na estética, sem a observação da normas de higiene e de qualidade que deviam ser observados, pondo em risco a saúde e o bem estar das populações. Sabe que os nano-produtos inundam a cosmética, os shampoos , detergentes, ( para só citar produtos caseiros,) que todos estes produtos são diariamente manipulados por trabalhores sem que se saibam ainda os riscos que daí podem advir.... e para quem os usa???
6. Numero crescente de novas empresas sem negócio aparente, cuja constituição serve para branquear dinheiro do tráfego de droga, de mulheres e crianças e de armas.
7. De onde veio o dinheiro que foi gasto em valores astronómicos no leilão do século que aconteceu há dias em Paris, na venda dos bens de Yves St Laurent?
8. Há quanto tempo se vem abrindo o fosso entre os ricos e os pobres com a destruição da classe abastada, mais conhecida por burguesia ??
9. Porque se criou a necessidade de um diploma superior, em detrimento de um curso técnico, com a correspondente constituição de um numero importante de desempregados licenciados e por via disso maduros para exercer facilmente as ordens de um CA ausente e de uns accionistas cada vez mais exigentes na rendibilidade, seja a que título for, do dinheiro investido
10. Cerca de 30% da economia europeia tem o estatuto de INFORMAL, o que em português vernáculo, quer dizer ILEGAL, ou seja um circuito onde o dinheiro circula por fora do circuito normal , não paga impostos, não tem princípio(S) ,nem fim
E, meus senhores e minhas senhoras, devíamos estar fartos, dar um murro na mesa.
Vamos???
Não custa muito, ora vá lá levante um braço acima da cabeça e Zás, dá com toda a força na mesa. Vamos tentar agora????
Agora??? Assim sem mais nem menos??? Não estamos habituados a tal....vamos ter que pensar..
Votámos nos governantes.... vamos esperar calma e serenamente que resolvam os problemas, sabemos lá..... utilizem o NOSSO dinheiro com quiserem, mas acabem com a crise ,com estes noticiários, com isto..... tirem-nos deste filme que não é nosso !!!!!
Dedução errada o filme é nosso e nele somos todos protagonistas.
Todos depositamos a esperança e , olhamos para a USA na expectativa que o presidente OBAMA resolva o problema lá na casa dele que nós por arrasto encontraremos a nossa solução.
Mais uma vez, ERRADO.
O problema e a sua solução nos EUA , na EU, na China, na África, na América Latina necessita de resposta globalizada sim mas respeitando as particularidades e o desenvolvimento de cada região .
E ENTÃO EM QUE É QUE FICAMOS, não acertamos uma ???’
Não sou um pessimista, sou um optimista no sentido em que acredito nas pessoas ,na HUMANIDADE e por isso acredito que no fim desta crise haverá uma retoma de valores, um voltar ao Humanismo, á fraternidade , à responsabilidade, num mundo melhor e mais saudável para todos.
Aqui e ali emitem-se sinais ténuos e discretos .
A OIT fala alem de suster o trabalho digno (a palavra inglesa é bem mais explícita :decent work) mas vai entretanto falando de postos de trabalho verdes, de trabalho verde, ou seja começa a induzir no trabalho individual o conceito ambiental, a UE volta a por na ordem do dia a responsabilidade social das organizações, com a preparação de directivas ou revisão delas quanto a trabalhadores deslocados, estabelece acordos entre as Inspecções de trabalho para que funcionem transnacionalmente no combate ao trabalho não declarado, clandestino e escravo.
Ou seja ,meus amigos, acabou-se!
As empresas que há anos arrastam a falência, desta vez vão falir mesmo, as empresas que tiverem maus comportamentos no seu funcioamento, tanto com os trabalhadores como com as partes interessadas (os chamados stake-holders) terão um futuro difícil.
As empresas que hoje começarem a reflectir quais os caminhos para encontrar as melhores oportunidades desta crise, e onde querem estar quando ela acabar, terão um amanhã, as outras vão esboroar-se pelo caminho.
Não quero tentar sequer fazer futurologia mas pensem:
Haverá uma nova ordem mundial, serão claros os blocos de interesses e as suas lideranças, Os EUA, continuarão a ser uma potencia mundial ,mas mais dialogante e menos arrogante .
A Rússia, a China, a Índia, estas potentados económicos emergentes, atingirão o estatuto de potencia mundial, correm o risco de serem apenas regionais ou quererão esse estatuto?
E, a UE será uma potencia regional ou mundial?
Que se desenhará na América latina o Brasil conseguirá lidera este continente e com a África dominar o atlântico SUL???
Muitas interrogações com resposta mais cedo do que se previa, crise “oblige”
O comercio terá um rosto humano, a especulação será bastante controlada ou quase impossível, os bancos nacionais serão empossados de mais competências para fiscalizarem a actividade bancária.
Lisboa , Abril de 2009
CALEM ESSE RUIDO ! (o ruído no trabalho pode custar-lhe mais do que a audição)
CALEM ESSE RUIDO!
O ruído , pode custar-lhe mais do que a audição
Calem esse ruído!
Marcelino (li ou ouvi?): É notório que a população convive, inconscientemente, com o barulho que invade, diariamente, as horas de trabalho e de lazer. A acompanhar o barulho, lá anda sub-repticiamente a rondar o maligno ruído, que, a pouco e pouco, nos vai desgastando a sensibilidade auditiva e a longo prazo nos conduz à surdez.
Stop that noise
António, pai de duas crianças, disse: vamos combinar uma coisa. Podem ouvir as vossas músicas preferidas nesses leitores de MP3. Mas, não pode ser nesse nível de som, nem ininterruptamente. Combinado?
Halte au bruit
Manuel, Inspector de Trabalho, disse: Parabéns, Sr. Mário Antunes. A sua empresa embora seja uma PME é um modelo no combate ao ruído. As soluções que implementou, correspondem ao que a Lei exige e até a ultrapassa. O seu caso é um exemplo de Boas Práticas que não me cansarei de divulgar e tentar ver replicado.
No al ruído!
Joaquim, na cervejaria, às 19h00, disse: Oh, pá! Eu não aguento mais trabalhar naquela empresa. Não há qualquer protecção individual para o ruído, nem há mostras de irem alterar seja o que for. Vou procurar trabalho noutro sítio. Eles é que ficam a perder. Os bons trabalhadores como eu, vão-se embora. Só ficam aqueles que dificilmente conseguem arranjar colocação noutro lugar. Isto parece uma sociedade de malucos e a IGT está-se nas tintas para a nossa saúde
Stoj pa arbejdsladsen
Mariana entrou em casa: maquinalmente acendeu a TV, uff!
Finalmente deixou de se sentir incomodada com aquele gélido silêncio, que era a sua casa.
Stop – meteli ei vetele
Gil disse: o que me apaixona na música são os silêncios reveladores de toda a beleza musical de uma composição.
Schluss mit Lärm!
“Cerca de 60 milhões de trabalhadores europeus estão expostos, no local de trabalho, a níveis de ruído potencialmente perigosos durante, pelo menos, um quarto do tempo de trabalho e a perda de audição, induzida pelo ruído, continua a ser responsável por um terço do total das doenças profissionais”.
Marcelino escreve: tanto a nível nacional como no seio da EU, foram inúmeras as iniciativas de sensibilização para “calar esse ruído”, que devem ter deixado marcas positivas, não só no mundo do trabalho como junto dos mais jovens. Se por um lado os mais novos, aprenderam esses princípios para a sua vida futura e forem um “alerta constante” para seus pais e, por outro os mais velhos acreditarem que mais vale prevenir que remediar, então todo este esforço valeu para qualquer coisa. Se não …? Então?
Abasso il rumore!
Pai
Agora mais alto : PAI…PAI….PAI, quase gritava o Jorge, sentado na frente do seu pai Joaquim, que não levantou os olhos do prato.
Uma lágrima furtiva, deslizou lentamente no olho do Jorge.
Peatage mura!
É preciso que todos nós insiramos a “palavra de ordem”- calem este ruído - , no nosso quotidiano.
A qualidade de vida dos trabalhadores, dos seus familiares e da população em geral obtém-se através dos cuidados ambientais, da resolução gradual e sustentada do graves problemas sociais e económicos, mas também com o imperativo permanente de estarmos atentos e interessados que efectivamente: Calem esse ruído
Termino assim:
Bolas!
Calem esse ruído!
O ruído no trabalho, no lazer, na rua, em qualquer lugar, pode custar-lhe mais do que a audição
Obrigado, em nome de todos nós.
Esteja atento e cale esse ruído.
Marcelino Pena Costa
Lisboa, 2005-10-12
9-06-2009
O ruído , pode custar-lhe mais do que a audição
Calem esse ruído!
Marcelino (li ou ouvi?): É notório que a população convive, inconscientemente, com o barulho que invade, diariamente, as horas de trabalho e de lazer. A acompanhar o barulho, lá anda sub-repticiamente a rondar o maligno ruído, que, a pouco e pouco, nos vai desgastando a sensibilidade auditiva e a longo prazo nos conduz à surdez.
Stop that noise
António, pai de duas crianças, disse: vamos combinar uma coisa. Podem ouvir as vossas músicas preferidas nesses leitores de MP3. Mas, não pode ser nesse nível de som, nem ininterruptamente. Combinado?
Halte au bruit
Manuel, Inspector de Trabalho, disse: Parabéns, Sr. Mário Antunes. A sua empresa embora seja uma PME é um modelo no combate ao ruído. As soluções que implementou, correspondem ao que a Lei exige e até a ultrapassa. O seu caso é um exemplo de Boas Práticas que não me cansarei de divulgar e tentar ver replicado.
No al ruído!
Joaquim, na cervejaria, às 19h00, disse: Oh, pá! Eu não aguento mais trabalhar naquela empresa. Não há qualquer protecção individual para o ruído, nem há mostras de irem alterar seja o que for. Vou procurar trabalho noutro sítio. Eles é que ficam a perder. Os bons trabalhadores como eu, vão-se embora. Só ficam aqueles que dificilmente conseguem arranjar colocação noutro lugar. Isto parece uma sociedade de malucos e a IGT está-se nas tintas para a nossa saúde
Stoj pa arbejdsladsen
Mariana entrou em casa: maquinalmente acendeu a TV, uff!
Finalmente deixou de se sentir incomodada com aquele gélido silêncio, que era a sua casa.
Stop – meteli ei vetele
Gil disse: o que me apaixona na música são os silêncios reveladores de toda a beleza musical de uma composição.
Schluss mit Lärm!
“Cerca de 60 milhões de trabalhadores europeus estão expostos, no local de trabalho, a níveis de ruído potencialmente perigosos durante, pelo menos, um quarto do tempo de trabalho e a perda de audição, induzida pelo ruído, continua a ser responsável por um terço do total das doenças profissionais”.
Marcelino escreve: tanto a nível nacional como no seio da EU, foram inúmeras as iniciativas de sensibilização para “calar esse ruído”, que devem ter deixado marcas positivas, não só no mundo do trabalho como junto dos mais jovens. Se por um lado os mais novos, aprenderam esses princípios para a sua vida futura e forem um “alerta constante” para seus pais e, por outro os mais velhos acreditarem que mais vale prevenir que remediar, então todo este esforço valeu para qualquer coisa. Se não …? Então?
Abasso il rumore!
Pai
Agora mais alto : PAI…PAI….PAI, quase gritava o Jorge, sentado na frente do seu pai Joaquim, que não levantou os olhos do prato.
Uma lágrima furtiva, deslizou lentamente no olho do Jorge.
Peatage mura!
É preciso que todos nós insiramos a “palavra de ordem”- calem este ruído - , no nosso quotidiano.
A qualidade de vida dos trabalhadores, dos seus familiares e da população em geral obtém-se através dos cuidados ambientais, da resolução gradual e sustentada do graves problemas sociais e económicos, mas também com o imperativo permanente de estarmos atentos e interessados que efectivamente: Calem esse ruído
Termino assim:
Bolas!
Calem esse ruído!
O ruído no trabalho, no lazer, na rua, em qualquer lugar, pode custar-lhe mais do que a audição
Obrigado, em nome de todos nós.
Esteja atento e cale esse ruído.
Marcelino Pena Costa
Lisboa, 2005-10-12
9-06-2009
R
Não sei o que está a acontecer.
Há já algum tempo que estou aqui, neste sítio que não conheço e, nada acontece.
Não aparece ninguém.
Devia estar alguém à minha espera!
Não consigo ter a percepção de como o tempo passa. Se passou muito ou pouco tempo, ou se não passou tempo nenhum.
Nenhum tempo, desde que aqui cheguei.
Creio que devia estar alguém à minha espera. Se devia e não está, é porque aconteceu qualquer coisa.
Continua tudo na mesma, ou melhor, não é bem assim.
Agora tenho a certeza que perdi a noção se o tempo corre ou não. Deixei de ter a consciência da passagem do tempo. É Ontem? Hoje? É agora? Já é amanhã?
Segui ininterruptamente com uma linha de conduta muito pessoal e rígida em toda a minha vida. Vivi sempre rodeado de pessoas que me queriam bem, casei-me, divorciei-me - porque ela me punha os cornos - andei aos caídos de fêmea em fêmea, até que estabilizei e encontrei o que queria: uma mulher que adivinha o que eu preciso e faz, uma família ,os familiares da minha segunda mulher . tratam-me bem , como se eu fosse o verdadeiro patriarca da família, sinto-me bem assim.
Tenho dois filhos, muito afastados de mim. Foram eles os responsáveis da situação. Nunca se esforçaram para compreender e aceitar a minha opção de vida, a minha escolha, esta família, que me apaparica, e não me está sempre a chatear com problemas. Eles que os resolvam os deles, são maiores e vacinados, que não preciso de suas excelências para resolverem os meus.
Não vou fazer nenhum esforço para que se aproximem, eles que dêem os passos que devem dar. As minhas decisões estão tomadas quanto ao futuro, não há cá nenhum mas nem mas! Ideologicamente sempre fui contra as heranças, devia ser o estado a recolher ou a taxar muito alto o que fica de um morto.
Os filhos devem arranjar a vida à sua medida e não ficar a espera do que lhes possa cair do céu, ou do trabalho dos outros. Os imóveis, e os terrenos estão salvaguardados. Quanto à partilha das empresas, que se arranjem, o que decidi está decido.
Sempre denunciei as religiões, com ópio do povo assim como o futebol e a palhaçada do milagre de Fátima. No tempo da outra senhora, também não assinei a declaração da PIDE que “ obrigava” os funcionários públicos assinar, uma declaração oficial, renunciando ao ateísmo e ao partido comunista. Consegui trabalho no sector privado, mas fiquei sempre debaixo de olho daqueles fanáticos.
Não, não.
E não!
É estranho que está a acontecer. Ainda me lembro-me do que diziam alguns livros que li quando não havia quase nada para ler e, nada está a acontecer ou dá mostras de vir a acontecer, de acordo com o que entendi.
Não vejo nada.
Mas?
Não vejo nada porque não há nada para ver, ou passa-se qualquer coisa que me cega, me obriga a deixar de compreender, entender, auto controlar-me. É como se estivesse a adormecer lentamente, devagar, devagarinho... ou a desmaiar.
Vejamos.
Já não sinto o corpo. É sem dúvida o efeito dos comprimidos que me estão a dar para dormir.
Não há barulho. Se estou a dormir, é claro que não ouço barulho. A noite está sossegada. Hoje não há vento, ruído de transportes, vozes, nem latidos de cães mesmo à distância. Quando tenho pesadelos, então sim, o barulho é grande. São sonhos/pesadelos do tipo dos filmes americanos de acção: explosões a torto e a direito, carros em perseguições completamente doidas, muito barulho, grandes correrias, gritaria e, esse ruído eu identifico-o e oiço-o bem.
Portanto é normal que não oiça nada, não estou no meio de um qualquer pesadelo.
Há 3 meses estive, no IPO em exames de rotina. Até andava animado com a possibilidade de recuperação e estabilidade, pois ao fim de 4 anos de luta pela vida que se pode resumir num alterne entre o ataque e a cura, estava convencido que quem tinha ganho a batalha era eu. Tudo indiciava esta vitória da minha vontade sobre a besta moderna que nos come a vida : o cancro nas suas diversa formas. Nunca tive necessidade de internamento e assim sucessivamente, iam passando os meses e tudo me levava a crer a que finalmente tinha vencido as velhas “bestas” que tentavam matar-me .
Mas, há um mês aconteceu-me uma perca de força da perna esquerda e todos os exames que me fizeram foram inconclusivos. Ou afinal, não foram?
Recolhi a casa duas semanas depois, para nem passado um mês regressar de ambulância, agora sem forças nas duas pernas.
Bem, se tiver de ficar na cama entrevado, fico, aguento. Quero viver. Pronto sempre fui apegado à vida e enquanto há vida há esperança, não é? Depois logo se vê! A medicina pode dar um salto, novas descobertas e lá me põem de novo na vertical. Tenho que comer para garantir massa muscular...
Estou para aqui a filosofar e esqueci-me de mim!
Raios de azar, de vez em quando aparecem-me aqueles dois! Estão aqui ou são os seus fantasmas que me perseguem?
Que querem de mim? Estou farto deles!
….
O que me espanta, é não ver aquela linha da almas a libertarem-se do corpo, umas atas das outras, a caminho do infinito. É de acreditar que seja assim? Estou a sonhar ou a delirar com a febre?
Sejamos pragmáticos e racionais:
Sempre fui boa pessoa, ateu, republicano e comunista. Lutei por ideias de liberdade, de igualdade, condenei a 2ª guerra mundial e as atrocidades dos nazis e seus aliados, e defendi a instauração de uma paz duradoura no final do conflito. O nazismo foi vencido pelo comunismo! Foi uma pena o exército vermelho ter parado em Berlim. Deviam ter descido até a península e libertar nos da ditadura franquista e salazarista. Depois militei pela distribuição de riquezas para acabar com a fome mundial e com a mortalidade infantil e fui adepto da luta de classes. Ainda hoje acredito que o ensino é libertador e que o saber é fonte de progresso e de bem-estar.
Será que passaram a ter outras normas de aceitação ou os candidatos são triados com outros critérios ???
Fui contra a guerra fria e tremi com a queda do muro de Berlim!
Há dois campos antagónicos, separados por uma terra de ninguém, onde andam os indecisos ou os que não foram aceites nem de um lado, nem do outro. Mas aqui também não vejo pessoas errantes, nem me parece um desses campos que se bem me lembro, parece-me que era o purgatório, os outros,…, já não me recordo!
Não vi o camarada Estaline ou outros que deviam andar por aqui, se é que estou no lugar certo.
Se não estou no lugar certo, porque é que não ? Que se passa? Como é que isso aconteceu?
Onde se meteram os outros?
Pode ser que no século XXI, as coisas tenham mudado, ou por efeitos de alguma conjuntura astral ou então por causa das alterações climatéricas, que cá (?), lá(?) em cima devem ser bem mais graves que na terra. Devem estar a vingar-se das emissões de CO2, ou então, os deuses e os demónios não andam bons da cabeça, o stress também lá chegou, e mudaram tudo ou ainda não tiveram tempo de colocar os novos painéis informativos...eu sei lá! Logo agora que estou a chegar, isto é que é azar. Estou mesmo a caminho do fim?
Estou eu, para aqui numa azáfama enorme, numa inquietação, num nervosismo inquietante que não vale a pena alimentar.
CALMA!
Como não acordo, não sinto o corpo, não oiço nada, se calhar é bem mais sensato admitir que morri.
Continuo a não se abordado por ninguém, nem o tal cordão de “almas” a caminho do infinito me pode servir de guia. Merda e então , não há nada?
Era pois de esperar que estivesse a caminho do dito inferno onde estariam os meus camaradas e amigos militantes anticlericais e o meu querido primo A, ainda mais republicano e comunista dos quatro costados que eu.
Quando suspeitei que tinha morrido , via-me num filme em cinemascópio, no primeiro plano ao encontro do velho Staline, (com Leningrado em fundo), os outros camaradas arrastando-se energicamente na neve, o Álvaro....
Onde é que se meteu esta gente?
Bolas ! Afinal parece que isto é com nós dizíamos, só terra e pó, onde os corpos se desfazem para fertilizar a terra mãe. Qual céu, qual inferno, qual disparate
Há algo de novo…!?!?!?
Sinto um pequeno calor a subir por mim acima, a partir dos pés....
!?
“Pode vir buscar as cinzas às quatro horas “
FIM...
Lisboa, 13 de Agosto de 2006
Há já algum tempo que estou aqui, neste sítio que não conheço e, nada acontece.
Não aparece ninguém.
Devia estar alguém à minha espera!
Não consigo ter a percepção de como o tempo passa. Se passou muito ou pouco tempo, ou se não passou tempo nenhum.
Nenhum tempo, desde que aqui cheguei.
Creio que devia estar alguém à minha espera. Se devia e não está, é porque aconteceu qualquer coisa.
Continua tudo na mesma, ou melhor, não é bem assim.
Agora tenho a certeza que perdi a noção se o tempo corre ou não. Deixei de ter a consciência da passagem do tempo. É Ontem? Hoje? É agora? Já é amanhã?
Segui ininterruptamente com uma linha de conduta muito pessoal e rígida em toda a minha vida. Vivi sempre rodeado de pessoas que me queriam bem, casei-me, divorciei-me - porque ela me punha os cornos - andei aos caídos de fêmea em fêmea, até que estabilizei e encontrei o que queria: uma mulher que adivinha o que eu preciso e faz, uma família ,os familiares da minha segunda mulher . tratam-me bem , como se eu fosse o verdadeiro patriarca da família, sinto-me bem assim.
Tenho dois filhos, muito afastados de mim. Foram eles os responsáveis da situação. Nunca se esforçaram para compreender e aceitar a minha opção de vida, a minha escolha, esta família, que me apaparica, e não me está sempre a chatear com problemas. Eles que os resolvam os deles, são maiores e vacinados, que não preciso de suas excelências para resolverem os meus.
Não vou fazer nenhum esforço para que se aproximem, eles que dêem os passos que devem dar. As minhas decisões estão tomadas quanto ao futuro, não há cá nenhum mas nem mas! Ideologicamente sempre fui contra as heranças, devia ser o estado a recolher ou a taxar muito alto o que fica de um morto.
Os filhos devem arranjar a vida à sua medida e não ficar a espera do que lhes possa cair do céu, ou do trabalho dos outros. Os imóveis, e os terrenos estão salvaguardados. Quanto à partilha das empresas, que se arranjem, o que decidi está decido.
Sempre denunciei as religiões, com ópio do povo assim como o futebol e a palhaçada do milagre de Fátima. No tempo da outra senhora, também não assinei a declaração da PIDE que “ obrigava” os funcionários públicos assinar, uma declaração oficial, renunciando ao ateísmo e ao partido comunista. Consegui trabalho no sector privado, mas fiquei sempre debaixo de olho daqueles fanáticos.
Não, não.
E não!
É estranho que está a acontecer. Ainda me lembro-me do que diziam alguns livros que li quando não havia quase nada para ler e, nada está a acontecer ou dá mostras de vir a acontecer, de acordo com o que entendi.
Não vejo nada.
Mas?
Não vejo nada porque não há nada para ver, ou passa-se qualquer coisa que me cega, me obriga a deixar de compreender, entender, auto controlar-me. É como se estivesse a adormecer lentamente, devagar, devagarinho... ou a desmaiar.
Vejamos.
Já não sinto o corpo. É sem dúvida o efeito dos comprimidos que me estão a dar para dormir.
Não há barulho. Se estou a dormir, é claro que não ouço barulho. A noite está sossegada. Hoje não há vento, ruído de transportes, vozes, nem latidos de cães mesmo à distância. Quando tenho pesadelos, então sim, o barulho é grande. São sonhos/pesadelos do tipo dos filmes americanos de acção: explosões a torto e a direito, carros em perseguições completamente doidas, muito barulho, grandes correrias, gritaria e, esse ruído eu identifico-o e oiço-o bem.
Portanto é normal que não oiça nada, não estou no meio de um qualquer pesadelo.
Há 3 meses estive, no IPO em exames de rotina. Até andava animado com a possibilidade de recuperação e estabilidade, pois ao fim de 4 anos de luta pela vida que se pode resumir num alterne entre o ataque e a cura, estava convencido que quem tinha ganho a batalha era eu. Tudo indiciava esta vitória da minha vontade sobre a besta moderna que nos come a vida : o cancro nas suas diversa formas. Nunca tive necessidade de internamento e assim sucessivamente, iam passando os meses e tudo me levava a crer a que finalmente tinha vencido as velhas “bestas” que tentavam matar-me .
Mas, há um mês aconteceu-me uma perca de força da perna esquerda e todos os exames que me fizeram foram inconclusivos. Ou afinal, não foram?
Recolhi a casa duas semanas depois, para nem passado um mês regressar de ambulância, agora sem forças nas duas pernas.
Bem, se tiver de ficar na cama entrevado, fico, aguento. Quero viver. Pronto sempre fui apegado à vida e enquanto há vida há esperança, não é? Depois logo se vê! A medicina pode dar um salto, novas descobertas e lá me põem de novo na vertical. Tenho que comer para garantir massa muscular...
Estou para aqui a filosofar e esqueci-me de mim!
Raios de azar, de vez em quando aparecem-me aqueles dois! Estão aqui ou são os seus fantasmas que me perseguem?
Que querem de mim? Estou farto deles!
….
O que me espanta, é não ver aquela linha da almas a libertarem-se do corpo, umas atas das outras, a caminho do infinito. É de acreditar que seja assim? Estou a sonhar ou a delirar com a febre?
Sejamos pragmáticos e racionais:
Sempre fui boa pessoa, ateu, republicano e comunista. Lutei por ideias de liberdade, de igualdade, condenei a 2ª guerra mundial e as atrocidades dos nazis e seus aliados, e defendi a instauração de uma paz duradoura no final do conflito. O nazismo foi vencido pelo comunismo! Foi uma pena o exército vermelho ter parado em Berlim. Deviam ter descido até a península e libertar nos da ditadura franquista e salazarista. Depois militei pela distribuição de riquezas para acabar com a fome mundial e com a mortalidade infantil e fui adepto da luta de classes. Ainda hoje acredito que o ensino é libertador e que o saber é fonte de progresso e de bem-estar.
Será que passaram a ter outras normas de aceitação ou os candidatos são triados com outros critérios ???
Fui contra a guerra fria e tremi com a queda do muro de Berlim!
Há dois campos antagónicos, separados por uma terra de ninguém, onde andam os indecisos ou os que não foram aceites nem de um lado, nem do outro. Mas aqui também não vejo pessoas errantes, nem me parece um desses campos que se bem me lembro, parece-me que era o purgatório, os outros,…, já não me recordo!
Não vi o camarada Estaline ou outros que deviam andar por aqui, se é que estou no lugar certo.
Se não estou no lugar certo, porque é que não ? Que se passa? Como é que isso aconteceu?
Onde se meteram os outros?
Pode ser que no século XXI, as coisas tenham mudado, ou por efeitos de alguma conjuntura astral ou então por causa das alterações climatéricas, que cá (?), lá(?) em cima devem ser bem mais graves que na terra. Devem estar a vingar-se das emissões de CO2, ou então, os deuses e os demónios não andam bons da cabeça, o stress também lá chegou, e mudaram tudo ou ainda não tiveram tempo de colocar os novos painéis informativos...eu sei lá! Logo agora que estou a chegar, isto é que é azar. Estou mesmo a caminho do fim?
Estou eu, para aqui numa azáfama enorme, numa inquietação, num nervosismo inquietante que não vale a pena alimentar.
CALMA!
Como não acordo, não sinto o corpo, não oiço nada, se calhar é bem mais sensato admitir que morri.
Continuo a não se abordado por ninguém, nem o tal cordão de “almas” a caminho do infinito me pode servir de guia. Merda e então , não há nada?
Era pois de esperar que estivesse a caminho do dito inferno onde estariam os meus camaradas e amigos militantes anticlericais e o meu querido primo A, ainda mais republicano e comunista dos quatro costados que eu.
Quando suspeitei que tinha morrido , via-me num filme em cinemascópio, no primeiro plano ao encontro do velho Staline, (com Leningrado em fundo), os outros camaradas arrastando-se energicamente na neve, o Álvaro....
Onde é que se meteu esta gente?
Bolas ! Afinal parece que isto é com nós dizíamos, só terra e pó, onde os corpos se desfazem para fertilizar a terra mãe. Qual céu, qual inferno, qual disparate
Há algo de novo…!?!?!?
Sinto um pequeno calor a subir por mim acima, a partir dos pés....
!?
“Pode vir buscar as cinzas às quatro horas “
FIM...
Lisboa, 13 de Agosto de 2006
P U T A S
Corro de novo atrás de outras palavras
O sentido é o mesmo, dar-lhes nexo
Torná-las punhal – despertador .
Minhas cabras:
A mortandade anual das focas, não pode acabar?
cara puta de luxo de quadros superiores, que tal se sente?
Bem, obrigada. Não é?
Essa estola de pele de foca... fica-lhe bem , tão bem, não fica?
O Jó, PDG da petrolífera onde o meu homem trabalha, gostou muito de me ver assim
Estava linda com a estola, único luxo, sobre um vestido de seda
decotado até ao umbigo
saia a esvoaçar ,
mostrando as minhas belas pernas e apetitosas coxas
O Jó lambe-as até chegar suavemente ao meu clitóris e eu, pouco depois
ao orgasmo.
Faço tudo, sou um corpo livre. Em troca , dá-me jóias , o que lhe pedir
e promove regularmente o meu José.
Há 100 anos que o luxo são mulheres como tu
Disponíveis, sempre prontas e discretas.
Mulheres de apenas 2 homens
amante & marido
sem risco de contaminação
de estola,
casaco longo de urso branco
ou de qualquer outro animal em vias de extinção.
Puta ?
Não , criminosa !
Bruxelas, 13/05/2008 -numa explanada, num dia de calor abrasador-
O sentido é o mesmo, dar-lhes nexo
Torná-las punhal – despertador .
Minhas cabras:
A mortandade anual das focas, não pode acabar?
cara puta de luxo de quadros superiores, que tal se sente?
Bem, obrigada. Não é?
Essa estola de pele de foca... fica-lhe bem , tão bem, não fica?
O Jó, PDG da petrolífera onde o meu homem trabalha, gostou muito de me ver assim
Estava linda com a estola, único luxo, sobre um vestido de seda
decotado até ao umbigo
saia a esvoaçar ,
mostrando as minhas belas pernas e apetitosas coxas
O Jó lambe-as até chegar suavemente ao meu clitóris e eu, pouco depois
ao orgasmo.
Faço tudo, sou um corpo livre. Em troca , dá-me jóias , o que lhe pedir
e promove regularmente o meu José.
Há 100 anos que o luxo são mulheres como tu
Disponíveis, sempre prontas e discretas.
Mulheres de apenas 2 homens
amante & marido
sem risco de contaminação
de estola,
casaco longo de urso branco
ou de qualquer outro animal em vias de extinção.
Puta ?
Não , criminosa !
Bruxelas, 13/05/2008 -numa explanada, num dia de calor abrasador-
LEVITAÇÃO
Concentrei-me , a pouco e pouco fui conseguindo apagar da minha cabeça todas as imagens , cores, preocupações , até que uma espécie de tela branca ficou na frente dos meus olhos fechados.
Então passei a interiorizar as instruções da minha voz suave, mas convincente .
No sentido ascendente : já não sentes o pé esquerdo, depois o direito depois a perna esquerda, a direita e assim sucessivamente até que cheguei ao pescoço e à cabeça.
Ordenei agora com um tom mais convencido : Não sentes peso nenhum!
De facto não sentia os 100 quilos que me atormentam a saúde e me pesam nos joelhos.
Desta vez coloquei a voz com a segurança de uma voz de comando .
Eleva-te do chão!
A pouco e pouco senti-me elevar lentamente do chão, como se fora um qualquer foguetão a caminho do espaço.
Subi quanto baste. O esforço mental começou a sentir –se do excesso de peso.
E agora?
É agora ou nunca!
Ensaiei então os velhos passos de rock, dos tais da minha adolescência .
Que gozo!
Fantástico !
Caí redondo no chão
E...
Babado de alegria.
Espiche 24 de Maio 2008
Então passei a interiorizar as instruções da minha voz suave, mas convincente .
No sentido ascendente : já não sentes o pé esquerdo, depois o direito depois a perna esquerda, a direita e assim sucessivamente até que cheguei ao pescoço e à cabeça.
Ordenei agora com um tom mais convencido : Não sentes peso nenhum!
De facto não sentia os 100 quilos que me atormentam a saúde e me pesam nos joelhos.
Desta vez coloquei a voz com a segurança de uma voz de comando .
Eleva-te do chão!
A pouco e pouco senti-me elevar lentamente do chão, como se fora um qualquer foguetão a caminho do espaço.
Subi quanto baste. O esforço mental começou a sentir –se do excesso de peso.
E agora?
É agora ou nunca!
Ensaiei então os velhos passos de rock, dos tais da minha adolescência .
Que gozo!
Fantástico !
Caí redondo no chão
E...
Babado de alegria.
Espiche 24 de Maio 2008
S O S
Alguém na cidade do PORTO ou arredores, tem 4 cadernos pautados com poesias que escrevi durante anos.
Os cadernos são originais e não tenho cópia de nenhum dos poemas ou textos que aí estão.
Por isso se algum leitor souber do paradeiro dos 4 cadernos de originais de MANUEL MARCELINO, agradeço que contacte este blogue.
obrigado
Os cadernos são originais e não tenho cópia de nenhum dos poemas ou textos que aí estão.
Por isso se algum leitor souber do paradeiro dos 4 cadernos de originais de MANUEL MARCELINO, agradeço que contacte este blogue.
obrigado
A propósito do romance “ A RONDA DA ESQUINA”
Pertenço a uma geração onde as iniciações faziam parte da vida e marcavam, como saltos concretos, as diversas etapas da mesma, desde muito cedo até pelo menos à idade adulta.
A Iniciação à vida:
Estou em 1944, concretamente no 15 de Fevereiro, são 21h00. Berro, quando me dão no rabo as palmadas, ditas da vida .
A segunda iniciação a que éramos maioritariamente conduzidos era o baptismo a que se seguia, logo na ida para a escola primária, a catequese, onde os e as jovens aprendiam, como era importante para a sua formação a castidade, a virgindade, a não se deixarem cair na tentação da carne e não se masturbarem, é claro.
Também aprendiam a temer a Deus todo-poderoso, que lá dos céus todos vigia.
As raparigas “futuras mães e dona de casa“ sofriam mais do que nós, os “jovens guerreiros”.
O padre instrutor passava - nos o medo do inferno, o incómodo que seria para as nossas almas a estadia no purgatório e quão bela e interessante era a recompensa, da subida aos céus, que era com quem diz, chegar puro e sem pecados ao paraíso, onde seríamos recompensados dos sacrifícios da vida terrena.
Falhei estas iniciações!
Ou melhor, para dizer a verdade, não foi bem assim.
Bem, a verdade, verdadinha é que fui baptizado quando tinha 12 anos.
A história conta-se em dois tempos : Na aula de religião e moral do meu 2º ano do Liceu Passos Manuel (onde na altura era um aluno de quadro de honra) o jesuíta que nos dava essas aulas perguntou quem é que não era baptizado, ao que eu, na minha ingenuidade, levantei o braço esquerdo (sou canhoto) e me denunciei.
Os meus pais foram chamados à Reitoria e aconselhados a procederem de acordo:
Sumariamente a decisão a tomar tinha apenas, duas faces, dois caminhos; Ou me baptizavam ou eu chumbava o ano.
Os meus pais deram-me a escolher e como eu queria passar o ano preferi entrar pela primeira vez, numa Igreja.
Dizia para os meus botões: não se preocupem, é a primeira e ultima vez que entro nessa casa que cultiva a intolerância.
Assim, aconteceu. Baptizei-me, passei o ano e como me prometera, só muitos anos volvidos é que entrei numa igreja , única e exclusivamente a título turístico .Fico á porta em cerimónias para que sou convidado tais como baptismos e casamentos
Entre estas iniciações do comum dos mortais meus contemporâneos, também fui sujeito a algumas .
A 3º e minha primeira verdadeira iniciação, por volta dos 12 anos, foi a importante e vital constatação e evidente auto-aprendizagem de que um dos princípios fundamentais da vida em sociedade, que devia ser a liberdade de expressão e pensamento, não fazia parte das regras impostas pela sociedade onde vivia.
Instintivamente, com o passar dos anos, aprendi a viver com a liberdade interior de pensar, castrada, inibida da possibilidade da troca de ideias ou debate das mesmas, sem que devesse tomar grandes cautelas.
A partir desse momento da minha vida, aprendi a saber defender-me daqueles que a soldo do poder, tentavam controlar eventuais dissidentes, e identificar quem pensava de modo diferente ou de outro modo.
Foi um grande choque o ter de desconfiar das pessoas, dissimular conversas, não andar sempre pelos mesmos caminhos, verificar se era seguido, etc., etc., etc. Ler Sarte, mais tarde Marcuse, só em casa. E, nada de falar dessas leituras, nem aos amigos.
Alguns deles e meus familiares passaram pelo Aljube ou pela António Maria Cardoso. Eu safei-me.
A quarta iniciação, era a “bufa” a Mocidade Portuguesa, organização da juventude onde o regime nos tentava incutir os valores do fascismo salazarento.
A quinta, era apenas dedicada aos machos! Um dia o pai decidia que era tempo de o rapaz ter iniciação sexual. Levava -o a uma “casa de meninas” de sua confiança, escolhia a rapariga e, ou lhe dizia, “trata lá bem o rapaz”, ou, “sê meiga com ele”. Mas o mais corrente era “tira-lhe lá os 3, que está na hora do rapaz virar homem, não quero maricas lá em casa”.
Outros, tinham essa iniciação pela vontade das tias solteironas que assim, no segredo da alcova familiar, satisfaziam os seus reprimidos desejos sexuais.
Não tive pai ou tia que me calendarizasse a iniciação sexual.
Quanto às raparigas, poucas eram as mães que lhes explicavam porque passaram a sangrar mensalmente pela vagina, mas perdiam todo o tempo que dedicavam às filhas, com conselhos para não engravidarem, pela abstinência, para conservarem a virgindade para o casamento, e treinarem-se para serem boas esposas, atentas obedientes ao marido, como elas.
Outras mães e filhas, poucas, sabiam que o pós-guerra era portador de grandes mudanças. Por isso dialogavam com as filhas de acordo com os sonhos da emancipação. Mas estas raras, grandes e livres mulheres, eram apontadas e afastadas, pelos reprimidos. Não tinham a vida fácil.
O Rock-and-Roll, começava a ouvir-se mas o admirável mundo novo ficou além dos Pirinéus! No entanto, até o “Tuti-Fruty” do Elvis foi posto à venda no Portugal salazarento!
A sexta e última (?) iniciação fundamental para as entidades paternais, acontecia mais uma vez do lado masculino.
A ida para a tropa era considerada como a última etapa para a idade adulta propriamente dita, e representava o corte final do cordão umbilical rapaz/família.
As coisas ficaram um pouco mais feias a partir de 1961 com o inicio da guerra colonial.
“Times thy’are a changing” ,cantava a voz nasalada do Bob Dylan, enquanto o regime se afastava a largo passo dos caminhos da modernidade e, começava a grande mobilização dos mancebos para a defesa da pátria.
A minha ultima iniciação (até hoje) teve como campo de operações a guerra, no confronto comigo próprio ao ter decidido embarcar e ter dado com os costados em Nambuangongo ,em vez de ter trilhado os caminhos do exílio, como tantos outros e amigos fizeram.
Foi também meter - me ao lado dos que cultivavam a incompreensão da irreversibilidade da independência das colónias e, tentar pela diferença, subverter alguns pensamentos?
Foi ir ao frente a frente brutal comigo próprio, com a morte, com o matar?
A minha integração “numa máquina de extermínio” ,onde o Napalm e outras substâncias proibidas por regulamentos internacionais eram usadas quotidianamente, onde se lançavam toneladas de herbicidas para destruir as sementeiras das populações, que estavam refugiadas nas matas, não aconteceu. Fui sempre um alferes marginal, olhado com desconfiança pelos “chicos”, pelos ditos profissionais.
Definitivamente eu não pertencia a esse mundo.
Que fazia eu, no degredo do “mata-mata” ?
Sobrevivi física, moral e intelectualmente, embora com dolorosas e profundas marcas, pesadelos constantes durante muitos anos.
Vivi o “Vietnam dos pobrezinhos” tão violento como o original, cada um na sua proporção de horror . Tanto quanto posso saber, não matei ninguém, nem tal como lhes prometera, deixei morrer nenhum dos soldados que estiveram sob o meu comando.
Só 20 anos depois consegui falar do que vivi sem que ficasse perturbado durante dias nem me assaltassem de novo pesadelos .
” Revolution”,” All we need is love”, cochichavam-me a batida ritmada os Beatles, para me fazerem sonhar com a PAZ .
Os censores do regime não percebiam inglês, só podia ser isso…!
Lisboa Novembro de 2008
Publicado em 8 DE NOVEMBRO DE 2008
A Iniciação à vida:
Estou em 1944, concretamente no 15 de Fevereiro, são 21h00. Berro, quando me dão no rabo as palmadas, ditas da vida .
A segunda iniciação a que éramos maioritariamente conduzidos era o baptismo a que se seguia, logo na ida para a escola primária, a catequese, onde os e as jovens aprendiam, como era importante para a sua formação a castidade, a virgindade, a não se deixarem cair na tentação da carne e não se masturbarem, é claro.
Também aprendiam a temer a Deus todo-poderoso, que lá dos céus todos vigia.
As raparigas “futuras mães e dona de casa“ sofriam mais do que nós, os “jovens guerreiros”.
O padre instrutor passava - nos o medo do inferno, o incómodo que seria para as nossas almas a estadia no purgatório e quão bela e interessante era a recompensa, da subida aos céus, que era com quem diz, chegar puro e sem pecados ao paraíso, onde seríamos recompensados dos sacrifícios da vida terrena.
Falhei estas iniciações!
Ou melhor, para dizer a verdade, não foi bem assim.
Bem, a verdade, verdadinha é que fui baptizado quando tinha 12 anos.
A história conta-se em dois tempos : Na aula de religião e moral do meu 2º ano do Liceu Passos Manuel (onde na altura era um aluno de quadro de honra) o jesuíta que nos dava essas aulas perguntou quem é que não era baptizado, ao que eu, na minha ingenuidade, levantei o braço esquerdo (sou canhoto) e me denunciei.
Os meus pais foram chamados à Reitoria e aconselhados a procederem de acordo:
Sumariamente a decisão a tomar tinha apenas, duas faces, dois caminhos; Ou me baptizavam ou eu chumbava o ano.
Os meus pais deram-me a escolher e como eu queria passar o ano preferi entrar pela primeira vez, numa Igreja.
Dizia para os meus botões: não se preocupem, é a primeira e ultima vez que entro nessa casa que cultiva a intolerância.
Assim, aconteceu. Baptizei-me, passei o ano e como me prometera, só muitos anos volvidos é que entrei numa igreja , única e exclusivamente a título turístico .Fico á porta em cerimónias para que sou convidado tais como baptismos e casamentos
Entre estas iniciações do comum dos mortais meus contemporâneos, também fui sujeito a algumas .
A 3º e minha primeira verdadeira iniciação, por volta dos 12 anos, foi a importante e vital constatação e evidente auto-aprendizagem de que um dos princípios fundamentais da vida em sociedade, que devia ser a liberdade de expressão e pensamento, não fazia parte das regras impostas pela sociedade onde vivia.
Instintivamente, com o passar dos anos, aprendi a viver com a liberdade interior de pensar, castrada, inibida da possibilidade da troca de ideias ou debate das mesmas, sem que devesse tomar grandes cautelas.
A partir desse momento da minha vida, aprendi a saber defender-me daqueles que a soldo do poder, tentavam controlar eventuais dissidentes, e identificar quem pensava de modo diferente ou de outro modo.
Foi um grande choque o ter de desconfiar das pessoas, dissimular conversas, não andar sempre pelos mesmos caminhos, verificar se era seguido, etc., etc., etc. Ler Sarte, mais tarde Marcuse, só em casa. E, nada de falar dessas leituras, nem aos amigos.
Alguns deles e meus familiares passaram pelo Aljube ou pela António Maria Cardoso. Eu safei-me.
A quarta iniciação, era a “bufa” a Mocidade Portuguesa, organização da juventude onde o regime nos tentava incutir os valores do fascismo salazarento.
A quinta, era apenas dedicada aos machos! Um dia o pai decidia que era tempo de o rapaz ter iniciação sexual. Levava -o a uma “casa de meninas” de sua confiança, escolhia a rapariga e, ou lhe dizia, “trata lá bem o rapaz”, ou, “sê meiga com ele”. Mas o mais corrente era “tira-lhe lá os 3, que está na hora do rapaz virar homem, não quero maricas lá em casa”.
Outros, tinham essa iniciação pela vontade das tias solteironas que assim, no segredo da alcova familiar, satisfaziam os seus reprimidos desejos sexuais.
Não tive pai ou tia que me calendarizasse a iniciação sexual.
Quanto às raparigas, poucas eram as mães que lhes explicavam porque passaram a sangrar mensalmente pela vagina, mas perdiam todo o tempo que dedicavam às filhas, com conselhos para não engravidarem, pela abstinência, para conservarem a virgindade para o casamento, e treinarem-se para serem boas esposas, atentas obedientes ao marido, como elas.
Outras mães e filhas, poucas, sabiam que o pós-guerra era portador de grandes mudanças. Por isso dialogavam com as filhas de acordo com os sonhos da emancipação. Mas estas raras, grandes e livres mulheres, eram apontadas e afastadas, pelos reprimidos. Não tinham a vida fácil.
O Rock-and-Roll, começava a ouvir-se mas o admirável mundo novo ficou além dos Pirinéus! No entanto, até o “Tuti-Fruty” do Elvis foi posto à venda no Portugal salazarento!
A sexta e última (?) iniciação fundamental para as entidades paternais, acontecia mais uma vez do lado masculino.
A ida para a tropa era considerada como a última etapa para a idade adulta propriamente dita, e representava o corte final do cordão umbilical rapaz/família.
As coisas ficaram um pouco mais feias a partir de 1961 com o inicio da guerra colonial.
“Times thy’are a changing” ,cantava a voz nasalada do Bob Dylan, enquanto o regime se afastava a largo passo dos caminhos da modernidade e, começava a grande mobilização dos mancebos para a defesa da pátria.
A minha ultima iniciação (até hoje) teve como campo de operações a guerra, no confronto comigo próprio ao ter decidido embarcar e ter dado com os costados em Nambuangongo ,em vez de ter trilhado os caminhos do exílio, como tantos outros e amigos fizeram.
Foi também meter - me ao lado dos que cultivavam a incompreensão da irreversibilidade da independência das colónias e, tentar pela diferença, subverter alguns pensamentos?
Foi ir ao frente a frente brutal comigo próprio, com a morte, com o matar?
A minha integração “numa máquina de extermínio” ,onde o Napalm e outras substâncias proibidas por regulamentos internacionais eram usadas quotidianamente, onde se lançavam toneladas de herbicidas para destruir as sementeiras das populações, que estavam refugiadas nas matas, não aconteceu. Fui sempre um alferes marginal, olhado com desconfiança pelos “chicos”, pelos ditos profissionais.
Definitivamente eu não pertencia a esse mundo.
Que fazia eu, no degredo do “mata-mata” ?
Sobrevivi física, moral e intelectualmente, embora com dolorosas e profundas marcas, pesadelos constantes durante muitos anos.
Vivi o “Vietnam dos pobrezinhos” tão violento como o original, cada um na sua proporção de horror . Tanto quanto posso saber, não matei ninguém, nem tal como lhes prometera, deixei morrer nenhum dos soldados que estiveram sob o meu comando.
Só 20 anos depois consegui falar do que vivi sem que ficasse perturbado durante dias nem me assaltassem de novo pesadelos .
” Revolution”,” All we need is love”, cochichavam-me a batida ritmada os Beatles, para me fazerem sonhar com a PAZ .
Os censores do regime não percebiam inglês, só podia ser isso…!
Lisboa Novembro de 2008
Publicado em 8 DE NOVEMBRO DE 2008
MICRO RESISTÊNCIAS ?
Quando vim para Bilbao trouxe o Vaio para na calma do hotel alinhavar umas linhas sobre o que penso que o Associativismo de hoje , das ONG e da sociedade civil em geral.
Acontece que trouxe também o Monde diplomatique, edição Portuguesa porque queria ler entre outros um artigo dedicado à filosofia - misérias e grandezas da filosofia - .
Não posso deixar de (com a devida vénia) transcrever algumas partes do texto:
Na antiguidade , as coisas eram simples: o filósofo vivia como filósofo. A prova da sua essência era a sua existência…
Ainda hoje operam na filosofia 2 tradições: linhagem existencial, linhagem de gabinete. Os primeiros pensam com vista a uma salvação individual, visando uma vida transfigurada, para além da vida mutilada da maior parte das pessoas….Os segundos reflectem para outrem, para o mundo, e não aplicam forçosamente as suas conclusões…
Esta comunidade filosófica ( a linhagem existencial contemporânea) não visa uma univocidade ideológica, visa uma coerência: uma prática existencial, alegre e política da filosofia, um empenhamento de esquerda pressupondo que não se entesoura o saber com fins pessoais, partilhando-o e distribuindo-o às pessoas que habitualmente dele se vêm privados…
O fascismo de capacete e botas altas ,militar , desapareceu. O poder está em toda a parte, tendo assim o microfascismo substituindo a formula totalitária maciça .
Como combater este microfascismo ? Através de microrresistências.
Construir individualidades esclarecidas, fortes, serenas, poderosas, decididas, voluntárias que se sintam bem consigo mesmas, é a condição para estarmos bem com os outros.
Passar da vida mutilada à vida justa e boa, através da vida transfigurada. Um projecto existencial e político…
Depois do desaparecimento do projecto revolucionário insurreccional e com o único recurso do “ devir revolucionário dos indivíduos”, restam-nos as revoluções moleculares…uma tarefa eminentemente exaltante.
Perdemos as referências, os valores?
Claro que sim , mas: é possível um gesto militante, uma resistência de PIXEL , como nos anos negros se falou de uma resistência de PAPEL...
BILBAO ,2000
Acontece que trouxe também o Monde diplomatique, edição Portuguesa porque queria ler entre outros um artigo dedicado à filosofia - misérias e grandezas da filosofia - .
Não posso deixar de (com a devida vénia) transcrever algumas partes do texto:
Na antiguidade , as coisas eram simples: o filósofo vivia como filósofo. A prova da sua essência era a sua existência…
Ainda hoje operam na filosofia 2 tradições: linhagem existencial, linhagem de gabinete. Os primeiros pensam com vista a uma salvação individual, visando uma vida transfigurada, para além da vida mutilada da maior parte das pessoas….Os segundos reflectem para outrem, para o mundo, e não aplicam forçosamente as suas conclusões…
Esta comunidade filosófica ( a linhagem existencial contemporânea) não visa uma univocidade ideológica, visa uma coerência: uma prática existencial, alegre e política da filosofia, um empenhamento de esquerda pressupondo que não se entesoura o saber com fins pessoais, partilhando-o e distribuindo-o às pessoas que habitualmente dele se vêm privados…
O fascismo de capacete e botas altas ,militar , desapareceu. O poder está em toda a parte, tendo assim o microfascismo substituindo a formula totalitária maciça .
Como combater este microfascismo ? Através de microrresistências.
Construir individualidades esclarecidas, fortes, serenas, poderosas, decididas, voluntárias que se sintam bem consigo mesmas, é a condição para estarmos bem com os outros.
Passar da vida mutilada à vida justa e boa, através da vida transfigurada. Um projecto existencial e político…
Depois do desaparecimento do projecto revolucionário insurreccional e com o único recurso do “ devir revolucionário dos indivíduos”, restam-nos as revoluções moleculares…uma tarefa eminentemente exaltante.
Perdemos as referências, os valores?
Claro que sim , mas: é possível um gesto militante, uma resistência de PIXEL , como nos anos negros se falou de uma resistência de PAPEL...
BILBAO ,2000
Subscrever:
Comentários (Atom)
