Peço – vos que embarquem comigo numa curta viagem metafórica...
No dia 11 de Setembro de 2001, deflagrou na cidade de NY uma bomba atómica de fraca potencia : dois Boeings. O ataque foi organizado pelo exército irregular do cartel da droga do Afeganistão.
É diária a acção dos piratas ao largo da Somália desafiando as marinhas de guerra de diversos países.
Forças difusas impedem a defesa do ambiente, o controlo das emissões de CO2, que se traduzem nas radicais modificações climatéricas que nos assolam, com as chuvas torrenciais ,tsunami ,secas...
O narcotráfico (quase?) controla a Guiné, como plataforma de distribuição do produto pelos 5 cantos do mundo...
Quem viu o telejornal do dia 18 de Abril pode ver um dos chefes do cartel da droga Colombiana que foi preso, e ouviu, que ele tem apenas um pequeno exército de 1.000 soldados…
Não são precisos mais exemplos: basta ler atentamente os jornais.
Algures no início de 2001 o grandes senhores do lado negro do mundo, (O “G 20” do outro lado do espelho) constituído por traficantes de armas, de droga, do jogo, de escravos, de mulheres, de crianças e de órgãos, chegaram à conclusão que detinham mais dinheiro e força militar, que o lado estruturado da economia e, por isso, podiam e deviam passar para outro nível de intervenção.
O plano tinha sido bem gizado e melhor executado:
Foi exigido sobretudo às máfias italiana, russa e chinesa, que acabassem as guerras pelo domínio territorial e mercantil.
A paz necessária para o confronto que se iria aproximar, foi conseguida, deixando-se a possibilidade de os gangues poderem fazer ajustes de conta pontuais.
Os negócios mais pequenos foram passados a novos arrivistas, a quem era necessário acolher e garantir proveito.
“Do lado de cá”, do lado da economia estruturada, das nações, os políticos, cada vez mais cinzentões e oriundos dos aparelhos partidários , aceitaram a imposição do capital, permitindo-lhe a livre circulação do dinheiro sem qualquer controlo .Os bancos centrais nacionais pouco ou nenhum controlo puderam fazer sobre os paraísos fiscais, a banca em geral e as sociedades para-bancárias.
Muitas das grandes empresas, já infiltradas no seu capital social pelos especuladores e “testas de ferro” destas organizações, viram-se forçadas pelos seus accionistas, a obterem lucro e mais lucro sem olhar a como, nem porquê.
As empresas mais vulneráveis tiveram que abrir “os cordões à bolsa” dando benesses aos seus gestores de topo e quadros superiores, que foram bem gratificados por cumprirem esses objectivos actuando em mercados especulativos, não produtivos e pouco transparentes.
Muitas das empresas apenas se mantêm em funcionamento graças à capacidade de resistência/adaptação dos seus empresários para subsistirem a esta avassaladora onda destruidora do tecido empresarial estruturado.
Preocuparam-se em ter um desenvolvimento sustentável, abriram novos mercados aproveitando a janela da mundialização, aplicaram fundos na investigação, no desenvolvimento tecnológico e na formação contínua dos seus trabalhadores, melhorando-lhes as condições de trabalho, recompensando a produtividade a iniciativa e a criatividade.
São as empresas produtoras, do comércio e dos serviços que vão existir no pós-crise e colherem os benefícios do seu comportamento ético nos negócios.
Por exemplo A Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, compreendendo a situação, deu o exemplo. Criou um código de ética para o comércio e serviços, que desenha caminhos éticos, de cidadania empresarial, e incentiva as empresas filiadas nas Associações , a que no âmbito global da sua actividade, procederem de acordo com essas preocupações. Foi a única.
O “outro lado” foi invadindo, nos mais diversos campos da economia, o mercado estruturado criando-lhe necessidades e dificuldades, , através de gigantescos investimentos em produtos de primeira necessidade, fazendo subir os preços pela retenção desses bens. Objectivo conseguido: obtenção de lucros cada vez mais significativos e chorudos e consequentes distúrbios na bolsa e nos mercados.
A lavagem do dinheiro tornou-se um caso banal, com a abertura de centenas de empresas - fachada dessa actividade.
As pessoas não escaparam a este mundo especulativo onde o dinheiro e toda a actividade económica se voltou para o lucro sem regras, para a obtenção de ganhos sem limites , da venda de papel sobre papel, com pouco ou nenhum suporte material para a sustentar (uma das primeiras bolhas a explodir do lado formal da economia foi o imobiliário, depois o bancário....e assim sucessivamente) . Como dizia, as pessoas não escaparam e o tráfego de mão de obra passou a ser também uma actividade florescente .
Estou a falar da parte do icebergue que está debaixo de água, pois a ponta é sobejamente conhecida de todos.
O não tomar decisões nesta guerra económica sem inimigo reconhecível e supranacional conduzir-nos-á ao mundo apocalíptico onde não podemos nem devemos deixar cair a humanidade ( lembram-se dos filmes do Mad Max?)
Que fazer então?
Como passamos à acção?
Permitam-me a imodéstia :
1. Os políticos têm que vir ao campo de batalha . Mas ao campo certo, ao laboral por exemplo. O campo onde o inimigo prolifera sem controlo e, arrogante na sua impunidade, já se acha à beira da vitória, num mundo totalmente desregulado e moldado ás suas leis, desejos e vontades.
2. Há que controlar efectivamente os fluxos de dinheiro, e a especulação, sem rei nem roque, que anda à solta por aí.
3. A sociedade civil tem de acordar e exigir aos políticos que elegeu, que a defendam. Nós também temos um papel importante a desempenhar Não há qualquer possibilidade de vitória contra este inimigo forte e difuso, sem uma verdadeira conjugação de esforços a nível mundial, com politicas verdadeiramente concertadas, o que, infelizmente não está a acontecer.
4. Os políticos têm que dar condições efectivas à Inspecção de Trabalho para que possa agir com a máxima celeridade e com todo o apoio que for considerado necessário, para encerrar imediatamente as empresas que produzem na base do trabalho clandestino, irregular, não declarado, infantil ou escravo. Estas ditas empresas do sector informal estão a destruir de um modo bem planificado, o sector estruturado da economia - suporte da estabilidade e da paz social -
5. Os políticos têm que interagir com os parceiros sociais que estão diariamente no terreno, que são o baluarte da defesa da economia estruturada, da iniciativa criativa, do investimento sustentado, num ambiente de trabalho digno e no respeito das normas fundamentais da OIT. Os parceiros sociais empresariais e sindicais podem e devem dar um valioso contributo nesta matéria. É o futuro das pessoas e do empreendorismo que está em jogo. È um problema que só se resolve com acções conjuntas em moldes de confiança e de respeito mútuo.
6. Há empresários que sentem efectivamente na pele as dificuldades da falta de tesouraria, do aumento dos “spreads”, as exigências das tais empresas que os obrigam a esmagar as margens de comercialização, a adulterarem a qualidade do serviço a prestar e, serem empurrados para incumprimentos, com o fito da sobrevivência ou para o suicídio..
7. O contributo e a participação dos parceiros sociais, na primeira linha do combate , é fundamental para o sucesso nesta guerra de novo figurino, que ainda está a revelar os seus contornos.
8. Não nos “deixemos anestesiar ” pela crise financeira, que depois se transformou em económica. Esta é apenas a ponta do icebergue, que é constituída pelo problema imobiliário, bancário, a indústria automóvel e tantas outras actividades económicas, em layoff , ou que despediram em massa ou, simplesmente , que faliram e encerraram a actividade.
9. Tenhamos presentes que os primeiros trabalhadores a sofrer com a crise foram os trabalhadores temporários que vão ter o período mais longo de desemprego, seguindo-se então os contratados a termo e depois os contratados sem termo, a quem ainda dizem, que têm emprego para a vida. São necessárias medidas efectivas para que todos estes trabalhadores, cada um na sua dimensão, não caiam na exclusão social, conducente a situações que se poderiam evitar. As Empresas do Trabalho temporário Organizado, o sector privado de emprego, quer queiram quer não, são aliados naturais da Inspecção Geral do Trabalho, no combate ao trabalho ilegal, não declarado, clandestino ou escravo, pois estas formas ditas informais são o vírus mortal das empresas estruturadas e cumpridoras.
10. É necessário incentivar, por exemplo, o diálogo entre o sector público e privado de emprego. Não há justificação aceitável para a falta de iniciativas conjuntas, neste tempo de crise e de desemprego crescente.
11. Os sindicatos e as associações empresariais têm que encontrar consensos e têm que desenhar acções conjuntas, respeitando-se para que o futuro que se vier a criar por causa deles, não seja negro, mas sim, e finalmente, um futuro de prosperidade de paz e compreensão entre os povos.
12. É por isso que o esforço conjugado de todos - esforço tripartido - pode e deve ser o motor da vitória, da erradicação e prisão de todos estes especuladores e criminosos que tentam ganhar esta terceira guerra mundial em que estamos mergulhados sem o querermos
Chegámos ao apeadeiro desta vertiginosa viagem num TGV da metáfora.
Espero que não se tenham assustado muito.
Acredito na humanidade e na sua lucidez.
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