quarta-feira, 23 de setembro de 2009

MICRO RESISTÊNCIAS ?

Quando vim para Bilbao trouxe o Vaio para na calma do hotel alinhavar umas linhas sobre o que penso que o Associativismo de hoje , das ONG e da sociedade civil em geral.
Acontece que trouxe também o Monde diplomatique, edição Portuguesa porque queria ler entre outros um artigo dedicado à filosofia - misérias e grandezas da filosofia - .

Não posso deixar de (com a devida vénia) transcrever algumas partes do texto:
Na antiguidade , as coisas eram simples: o filósofo vivia como filósofo. A prova da sua essência era a sua existência…
Ainda hoje operam na filosofia 2 tradições: linhagem existencial, linhagem de gabinete. Os primeiros pensam com vista a uma salvação individual, visando uma vida transfigurada, para além da vida mutilada da maior parte das pessoas….Os segundos reflectem para outrem, para o mundo, e não aplicam forçosamente as suas conclusões…

Esta comunidade filosófica ( a linhagem existencial contemporânea) não visa uma univocidade ideológica, visa uma coerência: uma prática existencial, alegre e política da filosofia, um empenhamento de esquerda pressupondo que não se entesoura o saber com fins pessoais, partilhando-o e distribuindo-o às pessoas que habitualmente dele se vêm privados…
O fascismo de capacete e botas altas ,militar , desapareceu. O poder está em toda a parte, tendo assim o microfascismo substituindo a formula totalitária maciça .
Como combater este microfascismo ? Através de microrresistências.
Construir individualidades esclarecidas, fortes, serenas, poderosas, decididas, voluntárias que se sintam bem consigo mesmas, é a condição para estarmos bem com os outros.
Passar da vida mutilada à vida justa e boa, através da vida transfigurada. Um projecto existencial e político…
Depois do desaparecimento do projecto revolucionário insurreccional e com o único recurso do “ devir revolucionário dos indivíduos”, restam-nos as revoluções moleculares…uma tarefa eminentemente exaltante.

Perdemos as referências, os valores?
Claro que sim , mas: é possível um gesto militante, uma resistência de PIXEL , como nos anos negros se falou de uma resistência de PAPEL...

BILBAO ,2000

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